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'Financial Times': Argentina e Brasil fazem pressão contra protecionismo

Jonathan Wheatley, em São Paulo

Jude Webber, em Buenos Aires

Do 'Financial Times'

Na semana que vem, na reunião de cúpula do G-20, em Londres, Brasil e Argentina pressionarão os países desenvolvidos para que estes se comprometam firmemente a não adotar o protecionismo como resposta à crise econômica global, ainda que a Argentina tenha recentemente elevado as barreiras não tarifárias sobre as importações dos seus vizinhos, e o Brasil pouco tenha feito para impedir isso.

Diplomatas brasileiros admitiram que a iniciativa de pedir aos países desenvolvidos que não protejam os empregos nos seus mercados domésticos terá pouco impacto em Londres, embora argumentem que é importante expressar tais preocupações.

Carlos Márcio Cozendey, diretor da divisão econômica do Ministério das Relações Exteriores brasileiro, disse que Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do seu país, chamará atenção para os riscos do protecionismo no decorrer da reunião.

"Obviamente nós continuamos a argumentar que o melhor remédio para as atuais tensões referentes ao protecionismo seria retomar e concluir a Rodada Doha de conversações", declarou Cozendey. Mas ele acrescentou que não se pode esperar nada de específico da reunião de cúpula do G-20, já que a equipe do Representante Comercial dos Estados Unidos ainda não foi totalmente montada pelo governo Obama.

Eric Farnsworth, da Sociedade e do Conselho das Américas, em Washington, afirma que a posição do Brasil como defensor do livre comércio foi abalada por fatos recentes.

"É preciso lembrar que em Cancún foi de fato o Brasil que colocou um quebra-molas na rodovia para o progresso", diz ele, referindo-se ao colapso da Rodada Doha em 2003. "É bom que os líderes digam o que querem quanto ao livre comércio, mas a grande questão é saber se eles modificarão o seu comportamento".

Nos últimos seis meses a Argentina elevou duas vezes as barreiras não tarifárias mas, nas semana passada, no Brasil, Cristina Kirchner, a presidente argentina, chamou de "simplistas" as sugestões de que o seu país estaria pregando uma coisa e fazendo outra.

Ela afirmou que o "monstruoso" déficit comercial de US$ 4 bilhões da Argentina com o Brasil em 2008 fez com que fosse lógico tomar providências, já que a indústria argentina é menos desenvolvida do que a do seu maior parceiro comercial. Cristina Kirchner afirmou que os benefícios fiscais concedidos à indústria brasileira e a recente desvalorização da moeda do Brasil protegeram os interesses brasileiros.

"Creio que a Argentina está sendo injustamente rotulada quando países que fazem coisas bem mais graves não são chamados de protecionistas", afirmou Alfredo Chiaradía, principal autoridade econômica do Ministério das Relações Exteriores da Argentina. "Na atual crise mundial, como é que um país como a Argentina deveria agir para proteger, ainda que minimamente, os seus empregos?"

Bruno Bath, principal negociador do Brasil junto aos seus parceiros do Mercosul, diz que entende os críticos que sugerem que a disposição do Brasil de permitir que a Argentina proteja os seus próprios trabalhadores à medida que a crise piora reduziu a credibilidade do pedido feito pelo governo brasileiro às nações desenvolvidas para que estas não façam o mesmo.

Mas ele acrescenta que as atuais negociações - sobre a decisão argentina de não conceder licenças automáticas de importação para alguns produtos brasileiros - dizem respeito a apenas uma pequena fração do comércio bilateral.

"Não achamos que o protecionismo esteja vindo da Argentina ou do Brasil, mas sim dos países desenvolvidos, e o combate a isso é um dos resultados que precisam emergir da reunião do G-20", disse uma autoridade graduada do governo argentino.

Tradução: UOL

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