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Desemprego atinge população brasileira que vive em Portugal

Juliana Iório

Especial para o UOL Notícias

Em Lisboa (Portugal)

Um estudo aponta que a população brasileira em Portugal está sendo atingida pelo desemprego. A pesquisa, denominada "A realidade da imigração", elaborada pelo Centro Local de Apoio à Integração de Imigrantes (CLAII) da Freguesia da Costa da Caparica, uma das regiões com maior número de imigrantes de origem brasileira, aponta que 41,67% dos entrevistados estão desempregados.

A maioria destes desempregados, aponta a pesquisa, tem baixa escolaridade (até o quarto ano), o que facilita a exploração de mão-de-obra, os baixos salários, a falta de contrato, falta de descontos à segurança social (INSS) e justifica o medo de se recorrer à saúde pública.

O estudo foi apresentado na semana passada, durante a visita do Alto Comissariado para a Imigração e o Diálogo Intercultural (ACIDI) e os dados apurados revelam que, em 2008, a população brasileira predominava na Costa da Caparica (63,64%) e que hoje o principal problema diagnosticado nesta população é o desemprego.

"É esta comunidade que hoje começa a recorrer à ajuda da ação social", explica Carla Dias, uma das responsáveis por este estudo. "Trata-se de um fenômeno recente, do início de 2009, apesar de estarmos falando de uma comunidade que, muitas vezes, não possui os requisitos legais para recorrer à ajuda do governo português."

Os dados mostram ainda que 30% das crianças integradas nas creches da Costa da Caparica são brasileiras e que as famílias monoparentais femininas (onde a mulher está ilegal e o marido foi para outro país, como a Espanha, em busca de melhores condições de vida) são as que precisam de mais ajuda.

Imigraçao cresce
A maioria da comunidade brasileira que vive na naquele local habita casas alugadas, e há casas em que vivem sete ou oito pessoas juntas. Muitas vivem em quartos porque não têm condições financeiras para mais. Além disso, a habitação clandestina (construção de barracas) é outro fenômeno que está crescendo.

Quanto aos jovens provenientes da comunidade brasileira, constatou-se também que a maioria manifesta necessidade de acompanhamento escolar e psicológico.

"Mas, apesar de todos estes problemas, de acordo com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, este é um momento de crescente imigração no país", afirmou Carla Dias.

O cônsul do Brasil, Renan Paes Barreto, que também esteve presente na apresentação do estudo, deixou um recado para o governo português: "em momentos de crise devemos fortalecer também os organismos de ação social e não só as instituições bancária. Mas julgo que a imigração não apresenta só o lado que vimos hoje neste estudo, porque nunca houve tantos brasileiros a estudar em Portugal".

"O problema é que o brasileiro, quando chega a Portugal, pensa que está em casa", disse o cônsul. "Mas bem sabemos que as coisas não são assim. Por isso, penso que aqueles que conseguem sobreviver no exterior deverão ter muito mais facilidade de sobreviver no Brasil, onde, além de tudo, possuem vínculos familiares."

Para Paes Barreto, falta informação para a comunidade brasileira que vive em Portugal e também para muitos que ainda pensam em emigrar. "A população não sabe que as coisas em Portugal não estão tão boas assim, mesmo porque somos 190 milhões de brasileiros e não éramos um país de emigração até 20 anos atrás. Mas, neste momento, está sendo elaborada uma cartilha pelo Itamaraty que dará informações básicas aos que querem emigrar."

Ricardo Amaral Pessôa, presidente da Associação Brasileira de Portugal (ABP) disse que o país europeu também está preocupado com a falta de informação e, por isso, a ABP criou um site (ainda em construção) para ajudar a comunidade.

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