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Financial Times: Economia brasileira é atrativa para quem está ávido por lucros

Jonathan Wheatley

Do 'Financial Times'

A forte alta das ações e moeda brasileiras nos últimos dois meses deixou muitos analistas à procura de explicações convincentes.

O índice da Bolsa de Valores de São Paulo, a Bovespa, valorizou de 35 mil pontos no início de março para quase 52 mil pontos na manhã de quarta-feira.

O índice subiu mais de 75% desde sua queda em outubro passado, apesar de ainda estar longe de sua alta de mais de 73 mil pontos há um ano.

Enquanto isso, o real - que se desvalorizou frente ao dólar americano de R$ 1,62 para R$ 2,48 entre agosto e dezembro - era negociado a R$ 2,12 na manhã de quarta-feira.

Ele se recuperou tão rapidamente nesta semana que o Banco Central começou novamente a comprar os dólares americanos pela primeira vez desde setembro.

"Eu vou te dizer, é muito confuso", disse Alvise Marino, analista de mercados emergentes da IDEAglobal, uma firma de pesquisa de Nova York.

Por um lado, as notícias econômicas que vêm do Brasil - assim como de todos os mercados emergentes e do mundo em geral - não são tão boas.

A produção industrial caiu mais de 10% em março, em comparação ao ano passado, após três quedas mensais consecutivas de cerca de 17%.

As vendas de veículos - um indicador chave, que despencou em dezembro mas se recuperou neste ano, graças a uma isenção temporária de impostos - caiu de novo em abril em 13,6% em comparação a março.

Pequenas recuperações nas vendas no varejo e na confiança dos consumidores e das empresas não são suficientes para explicar o ânimo dos investidores.

Por outro lado, entretanto, as perspectivas do Brasil certamente são favoráveis se comparadas às de outros países.

Suas reservas de moeda estrangeira de US$ 200 bilhões fornecem um amortecimento sólido contra volatilidade e afastam qualquer ameaça de calote à dívida.

De fato, o Brasil é credor líquido para o mundo e está se preparando para emprestar dinheiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Apesar do espaço de manobra do governo no lado fiscal ser limitado pela queda da receita tributária e aumento de gastos com folha de pagamento, deixando pouco dinheiro para gastos destinados a estímulo econômico, o governo conta com bastante espaço na política monetária.

O Banco Central tem reduzido sua taxa de juros referencial neste ano, mas a 10,25% ela ainda é muito alta e o banco deverá prosseguir nos cortes enquanto a inflação permanecer sob controle.

Outra explicação é que com as taxas de juros reais nos países desenvolvidos próximas de zero, os investidores que estavam guardando seu dinheiro estão novamente à procura de rendimento.

Os investidores estrangeiros retiraram mais de R$ 26 bilhões da Bolsa de Valores de São Paulo entre junho e janeiro.

De lá para cá, mais de R$ 5,7 bilhões retornaram, incluindo R$ 3,8 bilhões apenas no mês passado.

"Os Estados Unidos estão buscando políticas monetárias muito agressivas, expansionistas, e isso cria um aumento muito forte na liquidez", disse Marino. "Investidores que estavam avessos a risco agora estão mais à vontade em retornar ao mercado. O fato é que o real brasileiro continua atraindo o apetite internacional por risco."

Tradução: George El Khouri Andolfato

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