Ipea diz esperar que Banco Central mantenha queda dos juros e "não cometa 3º erro"

Haroldo Ceravolo Sereza

Sílvio Guedes Crespo

Do UOL, em São Paulo

O economista Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, órgão do governo, afirmou em entrevista ao UOL que o Banco Central já cometeu dois erros que aprofundaram o mau desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no final do ano passado e disse esperar que a instituição não se equivoque uma terceira vez.

"Esperamos que o Banco Central não cometa seu terceiro erro, interrompendo a queda da taxa de juros", disse Pochmann (assista ao vídeo abaixo).


O juro básico está hoje em 9,25% ao ano. Nesta quarta-feira, o Banco Central decide a taxa que deve vigorar até 2 de setembro. A previsão de analistas é que a taxa caia para 8,75% ao ano. Parte dos economistas, no entanto, acredita que esta será o último corte do ano. Para Pochmann, se isso se confirmar, o BC estaria cometendo o terceiro erro.

O primeiro equívoco do BC teria sido, na visão do economista, a elevação da taxa básica de juros em 2008. O presidente do Ipea avalia que essa decisão foi um dos principais fatores responsáveis pela queda do PIB do Brasil no terceiro trimestre do ano passado e no primeiro de 2009.

Ao longo de 2008, a taxa básica de juros, a Selic, subiu de 11,25% ao ano para 13,75% ao ano. No mesmo período, a inflação foi de 5,9%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), acima do centro da meta do governo (4,5%), mas abaixo do teto de tolerância (6,5%).

Segundo Pochmann, o aumento dos juros era desnecessário naquele momento. "Não estávamos diante de uma inflação de demanda. O consumo interno não estava tão expressivo, superior à capacidade de produção, sobretudo porque aquele foi um período de expansão de investimentos muito intensa."

O segundo o erro do Banco Central, acrescenta Pochmann, foi não ter reduzido a taxa básica de juros rapidamente quando a crise financeira internacional começou a afetar o Brasil.

Em 11 de setembro do ano passado, quatro dias antes do colapso do banco americano Lehman Brothers, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa de juros de 13% para 13,75% ao ano. Esse patamar foi mantido até 22 de janeiro, quando se decidiu reduzi-lo para 12,75% ao ano.

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