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Desigualdade e pobreza caem durante a crise, afirma Ipea

Do UOL Notícias

Em São Paulo

A crise financeira internacional não interrompeu a queda da desigualdade nem a da pobreza nas seis maiores regiões metropolitanas do Brasil.

É o que revela o estudo "Desigualdade e Pobreza no Brasil Metropolitano Durante a Crise Internacional: Primeiros Resultados", divulgado nesta terça-feira (4) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Para medir a concentração de renda, o Ipea utilizou o índice de Gini, que varia de 0 a 1: quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade.

Antes da crise, entre outubro de 2007 e junho de 2008, a média de desigualdade atingiu 0,5044. O índice Gini caiu para 0,5026 entre outubro de 2008 e junho de 2009, período da crise. Uma pequena redução, portanto, de 0,4%.

Apesar da melhora, o Brasil continua próximo de países africanos como Zimbábue (0,501) e Zâmbia (0,508) e de latino-americanos como El Salvador (0,524) e Panamá (0,561).

Por outro lado, o país conquistou um índice de desigualdade superior aos demais BRICs (sigla que define os países com maior potencial entre os emergentes), como a Rússia (0,399), Índia (0,368) e China (0,470).

A queda da pobreza foi mais forte, ainda segundo dados do Ipea. Entre outubro de 2007 e junho de 2008, a taxa de pobreza estava em 31,9%. No período da crise, entre outubro de 2008 e junho passado, o índice caiu para 31%, uma redução de 2,8%.

A maior queda da taxa de pobreza foi na região metropolitana de São Paulo (-3,9%), seguida por Belo Horizonte (-3.5%). Tanto em Salvador como em Porto Alegre a pobreza diminuiu 3,3%. Recife registrou queda de 1,9% e, em último lugar, aparece o Rio de Janeiro, com queda de 1,3%.

O Ipea credita esse cenário às "políticas anticíclicas" do governo, como a expansão do crédito, redução da taxa básica de juros (atualmente em 8,75% ao ano) e ao aumento do salário mínimo.

O órgão - vinculado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência - afirma que o atual momento econômico do Brasil é diferente, já que a pobreza não caiu num período de turbulência econômica, ao contrário do que aconteceu com as crises de 1982/1983, 1989/90 (hiperinflação) e 1998/1999 (crise da Rússia e maxidesvalorização do real).

A pesquisa mostra também que entre março de 2002 e junho último, a taxa de pobreza caiu 26,8%. Em março 2002, o índice estava em 42,5%, contra 31,1% em junho de 2009. Nesses sete anos, as regiões metropolitanas que diminuíram mais rapidamente a taxa de pobreza foram Belo Horizonte (35,5%), seguida de Porto Alegre (33,6%) e Rio de Janeiro (31,2%).

A região metropolitana mais pobre atualmente é Recife, com 51,1%. Já Porto Alegre registra a menor taxa de pobreza: 25,7%.

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