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Indicadores econômicos mostram que recuperação na China começa a acelerar

Geoff Dyer

Em Pequim

Jamil Anderlini

Em Dalian (China)

A economia da China deu recentemente novos sinais de que sua recuperação está ganhando velocidade, com dados mostrando que o investimento, a produção industrial e o crédito se expandiram mais rapidamente em agosto, apesar de o governo ainda acreditar que é muito cedo para começar a restringir a política.

Tanto o aumento na produção quanto no investimento superaram a previsão dos analistas e vieram após uma série de números em julho que sugeriam que o processo de recuperação podia estar enfraquecendo. A única exceção foi no comércio, onde o declínio nas exportações e importações em relação ao ano anterior foi maior do que o esperado.

"Os novos sinais de fortalecimento do investimento privado e dos gastos dos consumidores reforçam nossa visão de uma recuperação sustentada", disse Peng Wensheng, economista do Barclays Capital.

Os números robustos de agosto intensificarão o debate sobre a revogação de algumas medidas de estímulo fiscal e monetário gigantescas que Pequim vem implementando desde o final do ano passado.

Ao falar na reunião do Fórum Econômico Mundial em Dalian, na China, nesta semana, o primeiro-ministro Wen Jiabao excluiu qualquer possibilidade de mudança de direção no curto prazo.

"A virada econômica da China é instável, desequilibrada e ainda não é sólida", disse Wen. "Não podemos e não iremos mudar a direção de nossas políticas quando as condições não são apropriadas para isso."

Entretanto, os aumentos dramáticos no volume de novos empréstimos e na oferta de dinheiro neste ano, combinados com o crescimento nos mercados financeiro e imobiliário, aumentaram os temores de que as políticas do governo estejam criando uma série de bolhas e sobrecarregando a economia. Mesmo altos funcionários reconhecem que este é um risco genuíno.

"Estamos todos preocupados com a questão da sobrecarga em alguns setores, que se tornaram muito proeminentes", disse Zhang Xiaoqiang, vice-presidente da Comissão de Desenvolvimento e Reforma Nacional, a poderosa agência central de planejamento do governo chinês.

Stephen Roach, presidente do Morgan Stanley na Ásia, disse que os números mostram que a recuperação está intacta, mas extremamente dependente dos investimentos.

"Essa tendência não é sustentável e, embora seja provável que a economia chinesa vá se expandir no terceiro e quarto trimestres desse ano, o teste real acontecerá no ano que vem, quando ficará claro que a demanda externa, liderada pelos consumidores norte-americanos, está com grandes problemas", disse Roach.

Os empréstimos bancários ficaram em 410,4 bilhões de yuans (R$ 110 bi) em agosto, comparados aos 355,9 bilhões (R$ 95 bi) no mês anterior e 271,5 bilhões (R$ 72 bi) em agosto de 2008.

A produção industrial se expandiu em 12,3% em relação ao ano anterior, a maior variação em 12 meses, depois de 10,8% de aumento em julho - embora a produção em agosto do ano passado tenha ficado para trás por causa do fechamento de fábricas relacionadas aos Jogos Olímpicos. O investimento em ativos fixos aumentou 33% em um ano, quase nada em relação ao crescimento de julho.

As pressões deflacionárias se atenuaram, com a inflação dos preços ao consumidor caindo 1,2% em agosto, comparados a 1,8% de queda em julho.

As exportações caíram 23,4% em agosto em relação ao ano passado, apesar de o envio de produtos ao exterior ter aumentado 3,4% em relação a julho, de acordo com o ajuste sazonal. Uma queda grande nas importações levou a um superávit mensal na balança comercial de US$ 15,7 bilhões (R$ 28,6 bi), melhor que os US$ 10,6 bilhões (R$ 19,3 bi) em julho.

Tradução: Eloise De Vylder

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