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Opinião: desvalorização do dólar dá nova munição aos críticos de Obama

Edward Luce e Krishna Guha

Em Washington (EUA)

Financial Times

A forte desvalorização do dólar norte-americano está dando munição aos críticos do governo Obama e alimentando a preocupação a respeito da erosão do status da moeda de reserva.

Os políticos republicanos têm destacado a queda do dólar como evidência do enfraquecimento do poder norte-americano.

Nesta quarta-feira, Sarah Palin, a ex-candidata republicana à vice-presidência, adicionou sua voz àqueles que estão expressando preocupação com as consequências do aumento da dívida norte-americana e dependência do petróleo estrangeiro. "Nós podemos ver o efeito disso no preço do ouro, que atingiu uma alta recorde hoje, em resposta aos temores com o dólar enfraquecido", escreveu em sua página no Facebook.

A maioria dos economistas atribui o recente aumento do preço do ouro às ações de alguns poucos investidores que estão se protegendo do temor de inflação nos Estados Unidos. E eles apontam que os mercados mais profundos de títulos norte-americanos não exibem sinal de preocupação com a inflação. De fato, os analistas dizem que a desvalorização do dólar deriva mais do crescente apetite dos investidores por risco e das perspectivas de aumento das taxas de juros em outros lugares.

Nos últimos seis meses, o dólar se desvalorizou 11,5% em termos ponderados pelo comércio.

Tim Geithner, o secretário do Tesouro norte-americano, disse no fim de semana que os Estados Unidos farão "tudo o que for necessário" para manter a confiança em sua moeda.

"É muito importante para os Estados Unidos que continuemos tendo um dólar forte", disse. "Nós reconhecemos que o papel importante do dólar no sistema resulta em fardos e responsabilidades especiais para nós, de forma que faremos tudo o que for necessário para manter a confiança."

Entretanto, a ansiedade em relação ao dólar se estende além dos círculos políticos conservadores.

Na semana passada, Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, alertou que os alertas recentes dos chineses e outros grandes credores norte-americanos a respeito do endividamento dos EUA poderiam piorar nos próximos meses.

"Os Estados Unidos estariam equivocados em considerar garantido o lugar do dólar como moeda de reserva predominante do mundo", disse Zoellick. "Olhando adiante, haverá cada vez mais outras opções para o dólar."

Grande parte do debate atual segue a resposta política tradicional nos Estados Unidos sempre que a moeda sofre desvalorização. Mas agora ele é acompanhado pelos alertas dos credores dos Estados Unidos, muitos dos quais estariam de olho em grandes compras norte-americanas de ativos reais, como propriedades e empresas.

"O dólar sempre foi uma questão de testosterona entre as classes políticas norte-americanas", disse Norm Ornstein, um analista veterano do conservador Instituto da Empresa Americana. "Desta vez pode haver um debate legítimo em torno do status de reserva do dólar, mas Sarah Palin não está qualificada a participar dele."

Apesar da mais recente queda do dólar estar atraindo atenção, os analistas dizem que é preciso colocá-la em contexto. Em termos ponderados pelo comércio, o dólar está basicamente de volta a onde estava ano início da crise financeira, em 9 de agosto de 2007, segundo dados do Federal Reserve, o banco central norte-americano.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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