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Em Londres, Lula defende nova governança mundial e mudanças no FMI e Banco Mundial

Do UOL Notícias, em São Paulo

O presidente Lula pediu nesta quinta-feira (5) em Londres uma nova "governança mundial", que provoque mudanças nas instituições multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

"Não podemos deixar que uma recuperação da economia, ainda que parcial, abrande as mudanças profundas e necessárias na governança mundial", disse Lula no discurso que encerrou o seminário "Investing in Brazil", organizado conjuntamente pelos jornais britânico "Financial Times" e brasileiro "Valor Econômico".

"As novas estruturas e regras devem refletir a emergência dos países em desenvolvimento como atores indispensáveis em um mundo cada vez mais interdependente", acrescentou. Lula disse que a crise econômica mundial, que "ainda não terminou", teve "efeitos devastadores" não só para o sistema financeiro, mas, sobretudo, "nos países em desenvolvimento".

  • Durante seminário, Lula convidou os empresários britânicos e europeus a investir no Brasil

"É urgente recuperar os empregos e renovar as esperanças", disse Lula. Isso exige uma revisão dos paradigmas de modo que a "especulação financeira não possa comandar a economia e prevalecer sobre a produção" e "o sistema financeiro seja regulado ou fiscalizado". "Ainda falta muito para restaurar uma governança forte e transparente", disse para uma plateia formada por líderes empresariais.

Convite para investir no Brasil

Lula convidou os empresários britânicos e europeus a investir no Brasil, um país que, segundo ele, "está vivendo um momento quase mágico". "O Brasil é hoje e será nos próximos anos um país de enormes desafios, uma nova fronteira de crescimento econômico, inclusão social e estabilidade política", declarou Lula.

"Com nossa autoestima renovada pelos progressos dos últimos anos, estamos confiantes de que seremos capazes de enfrentar esses desafios. E quero convidar a todos para serem nossos sócios nesta empresa", acrescentou o presidente brasileiro em seu segundo e último dia de visita a Londres.

Aos investimentos previstos para as redes viária, ferroviária e portuária, o setor energético e o desenvolvimento urbano e social se somam os voltados para a Copa do Mundo de futebal de 2014, os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016 e, principalente, a exploração da camada de pré-sal descoberta recentemente.

"A exploração destes gigantescos recursos abrirá uma nova fronteira energética no mundo. E nós queremos transformar a riqueza do petróleo num novo impulso para o desenvolvimento de nosso país", enfatizou.

Lula diz que Brasil é o país do século 21

Lula destacou ante os empresários os excelentes resultados da economia brasileira - que deve creser 1% em 2009 e 5% em 2010, segundo as previsões -, o milhão de empregos que foram criados este ano, o sistema financeiro saudável de seu país, assim como o crescimento do comércio e dos investimentos, tudo isso com uma inflação controlada.

"Estivemos entre os últimos países do mundo a entrar na crise e entre os primeiros a sair", enfatizou, acrescentando que o Brasil "se saiu muito bem da prova" graças a sua menor dependência dos europeus e americanos e devido à diversificação de seus sócios comerciais, inclindo a China ou seus vizinhos da América do Sul.

Este crescimento se deve em grande medida ao consumo interno, num momento em que 50% das famílias do país são atualmente consideradas "de classe média" e cada vez mais pessoas abandonam o limite da pobreza. "Estamos cansados de ser o país do futuro.

Não vamos desperdiçar as oportunidades do século 21. O século 21 será o século do Brasil", acrescentou Lula. Antes de regressar ao Brasil, Lula será recebido no Palácio de Buckingham pela rainha Elizabeth 2º e receber o prêmio Chatham House 2009, concedido pelo prestigioso instituto britânico de Relações Internacionais a figuras políticas que contribuíram de maneira significativa para a melhoria das relações internacionais no ano anterior.

Com informações de AFP e EFE

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