Bolsas

Câmbio

Real é a moeda que mais sobe entre os 40 maiores parceiros comerciais do Brasil

Sílvio Guedes Crespo

Da Redação, em São Paulo

(Texto atualizado às 17h05)

O real já subiu 35% neste ano em relação ao dólar, fato que coloca a moeda brasileira como a que mais se valoriza entre um conjunto dos 40 principais parceiros comerciais do Brasil, segundo levantamento feito pelo UOL a partir de banco de dados da agência Reuters.

 

Invertendo a equação, a moeda dos Estados Unidos recuou 26% em relação ao real. Se considerarmos também a Austrália, um país que não está entre os 40 principais parceiros comerciais do Brasil, mas é importante economicamente, a queda do dólar foi um pouco maior (29,9%).

O levantamento inclui os 40 países que mais comerciam com o Brasil (tanto em volume de importações como de exportações) e outras 10 economias importantes. O ranking compara as 36 moedas que circulam nessas 50 nações.

Risco de bolha

O recuo do dólar em relação ao real causa dois tipos de preocupação. Um deles é uma questão financeira: a alta do real "pode produzir uma bolha de ativos no Brasil", segundo o consultor Otávio Vieira, da Safdié Gestão de Patrimônio.

O investidor estrangeiro que entrou no Brasil com US$ 100 mil no final do ano passado, por exemplo, conseguiu comprar, naquela época, R$ 233 mil. Hoje, esses mesmos R$ 233 mil valem US$ 135 mil. Ou seja, ele ganhou US$ 35 mil em nove meses, sem precisar aplicar o dinheiro.

Se esse investidor hipotético resolveu, por exemplo, aplicar em títulos públicos como as Letras Financeiras do Tesouro, que acumulam alta de 8,7% no ano, ele tem hoje R$ 253 mil, que, convertidos em dólares, são US$ 147 mil. Com papéis de baixo risco (correndo apenas o risco cambial), o investidor teve rentabilidade de 47% em 11 meses.

Já os estrangeiros que preferiram se arriscar e, no fim de 2008, venderam os mesmos US$ 100 mil e compraram as principais ações listadas na Bolsa de Valores de São Paulo hoje estão com papéis que valem US$ 232 mil (uma rentabilidade de 132%).

Esse potencial de ganhos no mercado brasileiro, aliado ao risco relativamente baixo, atrai mais investimentos externos, ou seja, dólares que, por sua vez, contribuem para o real continuar se valorizando. "É uma situação que se autoalimenta", afirma Vieira.

Para ele, a decisão do governo de taxar a entrada de investimentos estrangeiros em 2% terá pouco efeito. "O que são 2% perto de um investimento que me dá mais de 100%?", questiona.

Câmbio preocupa indústria

A outra preocupação é quanto à indústria local. Quando o real sobe, as mercadorias brasileiras tendem a ficar mais caras no mercado externo, diminuindo o poder de competição dos fabricantes nacionais. Ainda, os produtos e serviços do exterior ficam mais baratos, aumentando a concorrência com as mercadorias fabricadas no país.

Mas o dólar também está se desvalorizando em relação à moeda dos principais parceiros comercias do Brasil. A Mauá Sekular Investimentos calculou a variação da moeda americana ante uma cesta de moedas formada pelos países com os quais o Brasil comercia.

O resultado é que, em relação a essa cesta, o dólar caiu 24% no ano, próximo dos 26% de queda em relação ao real.

"O movimento do real apenas contra o dólar é exagerado; comparando-se com a cesta, o cambio bilateral [entre real e dólar] apreciou mais no ano", afirma o economista Daniel Moreira, da Mauá Sekular.

Ele ressalva, no entanto, que "o movimento de apreciação [do real] é consistente, e fundamentos explicam a performance do real acima das moedas de países comparáveis".

Além do movimento mundial de queda da moeda americana, "a economia brasileira está melhor" e há um "fluxo de dólares vindo para o país", diz Moreira.

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber as principais notícias do dia de graça pelo Facebook Messenger? Clique aqui e siga as instruções.

UOL Cursos Online

Todos os cursos