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PIB dos EUA cai 2,4% em 2009, a maior queda desde 1946

Da Redação, em São Paulo

O PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos caiu 2,4% em 2009, a primeira queda anual desde 1991 e o maior recuo desde 1946, informou o Departamento de Comercio nesta sexta-feira (veja gráfico ao final do texto).

No quarto trimestre, a economia norte-americana cresceu mais que o esperado por analistas, a uma taxa anualizada de 5,7%, a maior desde o terceiro trimestre de 2003, com uma redução de estoques menos agressiva.

A primeira divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre veio após o crescimento de 2,2%  no terceiro trimestre.

Analistas consultados pela Reuters previam avanço de 4,6% para o quarto trimestre.

O crescimento foi estimulado por uma forte desaceleração no ritmo de liquidação de estoques, um fator que pode mascarar a força da recuperação econômica.

Excluindo esse efeito, a economia cresceu a uma taxa anualizada de 2,2%, acima da taxa de 1,5% vista no terceiro trimestre nesse mesmo tipo de medição.

Os estoques empresariais caíram apenas US$ 33,5 bilhões no quarto trimestre, após recuarem US$ 139,2 bilhões no terceiro trimestre.

A variação de estoques adicionou 3,39 pontos percentuais ao PIB, a maior contribuição desde o quarto trimestre de 1987.

O gasto do consumidor aumentou 2%, segundo taxa anualizada, ante 2,8% no terceiro, contribuindo com 1,44 ponto percentual para o PIB do período.

O investimento empresarial cresceu pelo primeira vez desde o segundo trimestre de 2008, já que a fraqueza do setor imobiliário foi contrabalançada por um gasto robusto com equipamentos e softwares. A alta foi de 2,9% no trimestre, contra queda de 5,9% nos três meses anteriores.

O crescimento do gasto com construção de moradias desacelerou fortemente no quarto trimestre, para 5,7%, comparado a 18,9% no terceiro.

O comércio exterior contribuiu com 0,50 ponto percentual para o PIB.

Veja a repercussão do PIB dos EUA no mercado:

Robert Macintosh, economista-chefe da Eaton Vance Corp, em Boston
"É um número surpreendentemente forte. Preciso dar uma olhada, mas suspeito que isso tenha a ver com uma queda menor de alguns estoques e talvez com algum comércio, mas isso certamente é muito surpreendente."

Boris Schlossberg, diretor de pesquisa em câmbio da Global Forex Trading, em Nova York
 "Foium grande destaque. No fim das contas, é um relatório positivo e estamos vendo uma alta em muitos mercados. Mas, após o impacto inicial, é eciso repensar esse número e notar que alguns fatores de crescimento ainda mostram desempenho abaixo da média."

Jack Ablin, vice-presidente de investimentos da Harris Private Bank, em Chicago

"Foi um ótimo número. É muito sólido e nos dá um embalo na virada para o segundo semestre, quando não vamos poder contar com o estímulo do governo. Isso é parte do plano de nos colocar em movimento o mais rápido possível para que, quando o apoio for retirado, nós já tenhamos alguma força. É possível que isso leve a um aumento da taxa de juro, mas a maioria dos investidores está monitorando os programas anteriores do governo e o segundo semestre, quando não vamos ter as compras do Fed e os estímulos. Ter um número antecipado assim é uma boa notícia. Melhor alto do que baixo."
 

(Com informações da Reuters)

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