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Para evitar retaliação, EUA devem sugerir acordo para pesquisas sobre algodão

Renata Giraldi

Da Agência Brasil

Brasília – A ameaça do Brasil em retaliar os Estados Unidos por causa dos subsídios dados aos produtores norte-americanos de algodão pode ser encerrada com a formalização de um acordo para o desenvolvimento de pesquisas. O objetivo é que os norte-americanos transfiram em recursos e tecnologias as pesquisas referentes ao setor algodoeiro. As negociações, segundo informações de especialistas à Agência Brasil, avançam a cada dia, mas só devem ser concluídas em um mês.

O acordo envolve cerca de US$ 830 milhões. No final do ano passado, a Organização Mundial do Comércio (OMC) autorizou o Brasil a retaliar os Estados Unidos naquele valor. A decisão foi provocada pelos subsídios considerados irregulares pelo governo norte-americano aos produtores de algodão.

Há oito anos, o processo é negociado. Segundo especialistas brasileiros, um dos setores que pode ser afetado é o de medicamentos, pois a retaliação envolve a criação de barreiras temporárias às importações. A lista com a relação de produtos que poderão ser alvos da reação brasileira será divulgada na próxima segunda-feira (8) pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

O assunto foi tema de reunião da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, anteontem (3), em Brasília. Hillary afirmou que tinha a impressão de que a discussão fazia parte do enredo de um filme já conhecido de todos.

"Isso vai ser discutido como proposta de compensação. Temos tempo para tentar resolver isso de maneira pacífica e produtiva. É grande o comércio entre os nossos países e espero que possamos resolver essa questão", afirmou a secretária, sinalizando que haverá esforço por parte dos norte-americanos para evitar a retaliação.

Segundo Amorim, não há possibilidade concreta de o governo norte-americano querer impor uma espécie de contrarretaliação aos produtos brasileiros em decorrência da decisão de retaliar as mercadorias dos Estados Unidos - como insinuou o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, na sua primeira entrevista coletiva.

"Não posso acreditar que os Estados Unidos vão promover [uma contrarretaliação]. Deste susto eu não morro", disse Amorim, ao conceder entrevista ao lado de Hillary, no último dia 3. "A lista será publicada na semana que vem e haverá 30 dias [de prazo para negociar]. Então haverá tempo, com base no que foi autorizado dentro da lei."

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