Apesar da queda, PIB aponta para saída brasileira da crise

Andressa Rovani

Da Redação, em São Paulo

Apesar da economia brasileira ter recuado 0,2% em 2009, conforme divulgado nesta quinta-feira pelo IBGE, a notícia, segundo especialistas, não é tão ruim assim. Pelo contrário. Espremido entre os bons resultados da China, que cresceu 8,7% no ano passado, e recordes de queda do PIB (Produto Interno Bruto) de países europeus –o tombo chegou a 15% na Ucrânia--, o Brasil é coluna do meio. Não cresceu, mas pode dizer que está quase lá.

 

Isso porque, apesar de encolher no ano passado, o país conseguiu sair da crise financeira mundial sem grandes solavancos. O mesmo não pode ser dito pela maior parte dos países desenvolvidos.

Analistas de mercado consideraram "extremamente positivos" os números do quarto trimestre. "Os dados mostram que o país entrou em uma forte recuperação no final do ano passado, e isso dá a dimensão do que está por vir", diz o economista André Perfeito, da Gradual Investimentos.

Segundo Perfeito, um PIB negativo "nunca é bom", mas, agora, os analistas estão com suas atenções direcionadas ao desempenho da economia em 2010.

"Quando olhamos para trás, vemos uma severa crise, que afetou a maioria das economias mundiais. Houve aumento da aversão ao risco, o que dificulta o financiamento, e redução do comércio mundial", explica o professor Carlos Eduardo Soares Gonçalves, da FEA/USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo).

Por isso, diante desse cenário, o parco resultado brasileiro deve ser visto com bons olhos, afirma Gonçalves. "Devemos nos perguntar: por que não foi pior?", diz.

Segundo ele, o sistema de câmbio futuante adotado pelo Brasil absorveu o choque externo e provocou um efeito compensador, aumentando a rentabilidade dos exportadores. Além disso, a "razoável" questão fiscal do país aliada ao juro alto possibilitaram uma "pronta reação da política monetária", que reduziu os juros e ofereceu liquidez aos bancos. "Por isso crescemos 'tudo' isso", reforça.

"O desejado seria que estivéssemos com desempenho como o da China, mas ao menos não fomos tão mal quanto os países desenvolvidos", diz o professor de ambiente econômico global, Otto Nogami, do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa).

 

Trimestres

A análise então deve estar voltada para o crescimento do país nos últimos meses de 2009. Ao retalhar a economia brasileira em trimestres, é possível notar a recuperação do PIB nacional ao longo do ano (veja quadro abaixo).

Esse é o terceiro trimestre consecutivo em que a economia brasileira cresce em relação aos meses imediatamente anteriores, após ter passado por um período chamado de "recessão técnica" - caracterizada pela queda do PIB por dois trimestres seguidos - iniciado no 4º trimestre de 2008, logo após o agravamento da crise financeira mundial.

O Brasil deixou uma recessão de seis meses no ano passado antes de muitas economias desenvolvidas. Com isso, a perspectiva se mantém positiva para este ano. Na projeção do ministro da Fazenda, Guido Mantega, feita há um mês, o PIB do país deve fechar 2010 com expansão de pelo menos 5% no ano.

(Com informações de Reuters e Valor Online)

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