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Veja quem acertou ou errou a previsão do PIB em 2009

Ana Carolina Lourençon Andrade

Da Redação, em São Paulo

Os analistas de instituições financeiras acertaram quando previram que o PIB (Produto Interno Bruto) cairia cerca de 0,24% em 2009. Eles participam semanalmente de uma pesquisa do Banco Central, o boletim Focus, à qual fornecem suas expectativas para indicadores da economia brasileira. Nas primeiras semanas de 2009, porém, os economistas de bancos estavam extremamente otimistas e chegaram a apostar em um crescimento de 2,4% para o país. Dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE mostram que o PIB do Brasil recuou 0,2% no ano passado.

Em perspectiva geral, instituições e governo começaram o ano de 2009 muito mais otimistas com relação ao crescimento da economia em comparação com as expectativas divulgadas no fim do ano passado.

Conforme foram saindo outros dados da economia ao longo do ano, como aumento do desemprego e diminuição do consumo, ficou mais claro para os analistas que a economia brasileira não enfrentaria  apenas uma "marolinha", mas sentiria alguns reflexos mais severos da crise financeira mundial. Então, em junho, a estimativa dos bancos mudou para uma queda de 0,7%.

PREVISÕES PARA O PIB DE 2009

Entidade Previsão feita
no 1º tri/2009
Previsão feita
no 4º tri/2009
Banco Central 1,2% 0,2%
Ministério da Fazenda 1,5% 1%
FMI -1,3% -0,7%
Fiesp -0,5% 0,4%
CNI 0 0
Banco Mundial -1,1% -0,5%
Relatório Focus 2,4% -0,24%
Moody´s -0,9% -0,2%
Fitch 0 -0,4%

Ao final do primeiro trimestre de 2009, o Brasil entrou na chamada recessão técnica- período caracterizado por seis meses consecutivos de retração econômica - e o governo lançou mão de uma série de medidas econômicas com a isenção de impostos para diversos setores do país, impedindo uma devastação maior na economia.

Com o pacote, a economia brasileira saiu da recessão e cresceu 1,4% no segundo trimestre, seguido por expansão de 1,7% no terceiro. Nesse momento, os bancos revisaram suas projeções para queda de 0,24%, porque acreditavam que, apesar da tentar recuperar o fôlego da economia, o país não cresceria nos meses seguintes os 5% necessários para fechar o ano com uma variação positiva.

Previsões

Segundo o economista-chefe da consultoria UPTRend, Jason Vieira, a retração pela qual o Brasil passou em 2009 não se mostrou tão forte quanto se pensava e, com a quantidade de incentivos econômicos que o Brasil promoveu da metade de 2009 em diante, sobretudo a renúncia fiscal, as projeções foram atualizadas de modo positivo.

"Essa mudança de expectativas é uma tendência natural. Quando se viu que a situação não era tão ruim quanto se pensava, os cenários e previsões começaram a reverter para uma tendência menos pessimistas", diz.

Quem acertou em cheio também foi a agência de classificação de risco Moody´s, que começou 2009 apostando numa queda de 0,9%, mas terminou o ano com a previsão de recuo de 0,2%. Segundo a equipe de analistas da empresa, o número foi revisado depois do resultado do terceiro trimestre. Segundo a agência, a queda confirmada nesta quinta-feira deve ser vista como positivo comparado com o resultados de países de primeiro mundo.

O Banco Mundial também passou perto. Revisou suas estimativas de queda de 1,1% , divulgada no primeiro trimestre do ano passado, para um recuo de 0,5%, segundo relatório do último trimestre. O órgão disse que os países latinos entraram na crise muito mais preparados do que em choques anteriores e com fundamentos econômicos mais sólidos; porém, não escapariam ilesos devido ao reflexo que sofreriam com a queda nos preços internacionais das commodities e com a fuga de investidores estrangeiros.

Já a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) mudou no final do ano sua aposta de queda de 0,5% feita no início de 2009 para um recuo de 0,4% gerado pelo aumento do nível de atividade no país, enquanto CNI (Confederação Nacional da Indústria) projetava uma variação nula. O órgão chegou a reduzir suas previsões para uma queda de 0,4%, mas mudou de opinião depois que o consumo das famílias cresceu 2,1% no segundo trimestre.

O FMI (Fundo Monetário Internacional) mudou sua projeção de uma queda de 1,3% feita no primeiro trimestre de 2009 para um recuo de 0,7%.  Para o órgão, a recessão estava chegando ao fim e muitos países já mostravam recuperação após algumas medidas de incentivo que ampliaram o cosumo e reduziram as incertezas.

Otimismo exagerado

A projeção mais distante do resultado verificado hoje foi a do ministério da Fazenda, que apostava em um crescimento de 1% para a economia - nos primeiros meses de 2009, esta crença chegou a ser de 1,5%. Em dezembro, o ministro Guido Mantega, que conduz a pasta, chegou a dizer que sua aposta poderia estar comprometida, mas não quis dar uma nova previsão, afirmando que de qualquer forma o país teria um resultado satisfatório e positivo.

O Banco Central chegou a prever uma expansão de 1,2% nos primeiros meses de 2009, mas diminuiu sua expectativa para uma alta de 0,2% logo após o resultado do PIB do terceiro trimestre.

Na avaliação de Jason Vieira, da UPTRend, é função dos órgãos oficiais manter o tom positivo mesmo em situações mais graves.

"O governo precisa ser otimista, é preciso que ele passe essa imagem. Por isso, sempre há previsões extremamente exageradas para o lado positivo, mas conformea divulgação dos resultados se aproxima, é preciso adequar as previsões ao cenário econômico atual", afirma Vieira.

Prevendo o futuro

Para chegar a essas previsões, essas instituições utilizam, além de fórmulas matemáticas, a análise de uma série de dados econômicos que incluem vendas no varejo, desempenho da indústria, desemprego, exportações, importações e volume de investimentos no país.

Um indicador bastante usado é a venda de papel ondulado, utilizado para fazer caixas de papelão que serão usadas, entre outras funções, para embalar os bens que são produzidos pelo país. Os economistas veem este índice como um termômetro da economia, porque se a indústria de papel ondulado vende mais, pode indicar que os clientes estão otimistas com seu setor e, por isso, aumentarão encomendas e produção.
 

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