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Consultores dizem quais setores devem ter mais emprego neste ano

Andressa Rovani

Da Redação, em São Paulo

A taxa de desemprego em fevereiro ficou em 7,4%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). É a menor taxa para fevereiro desde o início da série, em março de 2002.

 

A expectativa é que a economia brasileira gere 2 milhões de novos postos de trabalho em 2010, segundo estudo divulgado há duas semanas pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo.

"Para quem tem qualificação, oportunidade não vai faltar", afirma Marcelo Gonçalves, diretor de operações e RH da Terco Grant Thornton. "Os profissionais vão perceber isso, seja porque a empresa em que estão vai gerar mais postos seja porque perceberão mudanças nas empresas concorrentes."

O cenário positivo para o mercado de trabalho fez com que o trabalhador se revelasse mais otimista. Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), há sete anos não se via o brasileiro tão confiante com o mercado de trabalho. Pela primeira vez na série histórica, mais da metade dos entrevistados afirmou não estar com medo do desemprego.

Estima-se que o país terá 18,9 milhões de vagas a serem preenchidas neste ano, e 90% delas serão fruto da rotatividade de pessoas nas empresas. Para tirar proveito desse período positivo para o mercado de trabalho brasileiro, é preciso atenção aos setores que devem puxar esse crescimento e ao perfil exigido para as vagas, avaliam especialistas.

Este não é, porém, necessariamente o melhor momento para trocar de emprego, diz Gonçalves, mas de pensar em como ser melhor dentro da empresa. "É hora de avaliação e revisão dos profissionais nas empresas. O momento é mais de mostrar resultados do que se expor ao assédio do concorrente", afirma. "A oportunidade pode estar dentro da própria empresa."

Para o professor de gestão de pessoas do Insper Marcus Sousa, não é hora de pensar em mudanças, apesar da expectativa pelo aquecimento do emprego. "Embora a situação econômico-financeira seja positiva em relação a boa parte dos países, ainda estamos emergindo de uma crise", diz. Ele afirma que as empresas ainda têm como discurso a necessidade de apertos para recuperar os prejuízos do ano passado.

Uma pesquisa feita pela Terco Grant Thornton, com 7.400 empresas em 36 países, aponta o Brasil como um dos destaques, com crescimento de 11% nos postos de trabalho em 2009. Segundo Marcelo Gonçalves, 60% das empresas nacionais acreditam em expansão de seus postos de trabalho neste ano. Para o consultor, o terceiro e o quarto trimestres devem sinalizar um maior nível de contratação.

Segmentos

Para Gonçalves, três segmentos devem se destacar na geração de empregos em 2010: serviços, intermediações financeiras e construção civil. A indústria, em busca de recuperação depois das perdas verificadas durante a crise financeira mundial, deve fechar o primeiro trimestre deste ano com alta no número de contratações.

Para Marcus Souza, quem está se preparando para entrar no mercado de trabalho deve levar em conta carreiras ligadas a turismo, tecnologia da informação, ambiente e biotecnologia. Souza vê um enfraquecimento pela procura por medicina, um dos cursos mais concorridos do país, e aumento do interesse dos estudantes por áreas relacionadas a ela.

Em contrapartida, engenharia deve continuar a ser uma boa opção no médio prazo, pela capacidade de adaptação que a formação oferece. O destaque, segundo ele, é engenharia de redes, seguida por postos como coordenador de projetos, gestor de patrocínios, design de games e entretenimento.

Perfil

Um contingente de quase 653 mil profissionais com experiência e qualificados terá dificuldade para se inserir no mercado de trabalho em 2010, segundo levantamento do Ipea.

Com isso, para conseguir uma vaga para chamar de sua é preciso que o profissional tenha, além de uma boa qualificação, reforço na bagagem comportamental e saiba destacar os resultados alcançados em trabalhos recentes.

Capacidade de aprender, abertura a mudanças e poder de adaptação fazem parte das características que Sousa elenca como essenciais para quem está em busca de uma vaga.

"As empresas estão refinando suas buscas e exigindo mais", diz Gonçalves.

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