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Brasil e Índia se juntam aos protestos contra a desvalorização da moeda chinesa

Geoff Dyer Em Pequim (China)

Financial Times

A China está enfrentando pressões crescentes dos países desenvolvidos para começar a valorizar a sua moeda, e surgem aliados inesperados dos Estados Unidos na luta diplomática contra a política cambial de Pequim.

Falando às vésperas de uma reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20, que tem início hoje (22/04) em Washington, os presidentes dos bancos centrais indiano e brasileiro fizeram as declarações mais enérgicas até o momento dos seus países na defesa de um yuan mais forte.

Embora a maior parte da pressão pública sobre a China venha dos Estados Unidos, os comentários demonstram que vários países em desenvolvimento sentem que a taxa de câmbio fixa em relação ao dólar que foi imposta pela China atrapalha as suas economias.

Henrique Meirelles, o presidente do Banco Central do Brasil, afirmou que uma moeda chinesa mais forte é algo "absolutamente crítico para o equilíbrio da economia mundial". "Há duas distorções nos mercados mundiais. Uma delas é a falta de crescimento, e a outra é a China", afirmou Meirelles.

Duvvuri Subbarao, presidente do Reserve Bank da Índia, disse que um yuan sub-valorizado está criando problemas para vários países, incluindo a China.

"Se a China valorizar o yuan, isso terá um impacto positivo no nosso setor externo", afirmou Subbarao. "Se alguns países modificam as suas taxas de câmbio e as mantém artificialmente baixas, quem arcará com o peso do ajuste serão alguns países que não intervêm tão frequentemente nas suas moedas".

Lee Hsien Loong, primeiro-ministro de Cingapura, acrescentou a voz do seu país ao debate na semana passada, pedindo à China que comece a fortalecer a sua moeda, e afirmando que o interesse em possuir uma taxa de câmbio mais flexível é da própria China.

Alguns autoridades na China têm rechaçado as pressões dos Estados Unidos por uma moeda mais forte, descrevendo-as como uma distração das causas reais da crise financeira. No entanto, não é tão fácil repelir as críticas de países em desenvolvimento. "Se os países ricos e emergentes se unirem contra a China para pedir uma valorização do yuan, será mais difícil rechaçar esses apelos afirmando que eles são apenas um exemplo da arrogância de uma superpotência", diz Sebastian Mallaby, do Conselho de Relações Exteriores.

O aumento das críticas à política cambial China ocorre em um momento de relativa calma entre Pequim e Washington quanto a essa questão, e muitas autoridades e analistas norte-americanos acreditam que Pequim já decidiu abandonar o seu câmbio fixo em relação ao dólar nos próximos meses.

Porém, o impacto da política cambial da China sobre outros países em desenvolvimento não é tão claro assim. Embora alguns deles tenham experimentando uma valorização acentuada das suas moedas nos últimos 12 meses, o que prejudica as suas exportações e os expõem a uma concorrência mais acentuada da China, a recuperação econômica de Pequim também possibilitou um fortalecimento econômico, especialmente para os vizinhos do país na Ásia, bem como de países produtores de commodities, como o Brasil.

Tradução: UOL

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