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Queda dos juros é uma tendência, diz Meirelles

Anne Dias

Enviada especial à ilha de Comandatuba (BA)*

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse nesta quinta-feira que desde 2006 os juros básicos da economia brasileira vêm caindo seguidamente e isso é uma tendência no país. Nos últimos quatro anos, a taxa Selic passou de 26,32% para os atuais 8,75% ao ano.

 

Meirelles preferiu não fazer, porém, projeções sobre o próximo patamar da Selic. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que vai definir a nova taxa de juros, acontecerá na próxima semana (dias 27 e 28).

"Não faço previsão sobre juros", disse Meirelles. E completou: "O Banco Central tem meios para manter as metas de inflação. E é o que vamos fazer".

Meirelles participou do 9º Fórum Empresarial, em Comandatuba (Bahia), com cerca de 320 empresários e executivos.

Na plateia, estava boa parte do PIB brasileiro, gente como o presidente do banco Fator, Manoel Horácio; a superintendente do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano; o presidente da Telefonica, Antonio Carlos Valente; Jorge Gerdau Johannpeter, do Grupo Gerdau, entre outros executivos e políticos.

"Todos os segmentos empresariais estão otimistas", disse Meirelles.

Luiza Helena, do Magazine Luiza, questionou o presidente do Banco Central sobre a taxa de juros. "Ainda são muito elevadas. Qual é sua avaliação?"

"Os juros estão caindo, mas ainda são elevados. A queda só virá com uma maior competição. É importante termos um cadastro positivo, porque assim as pessoas com um bom histórico terão outro tipo de financiamento", afirmou Meirelles.

O presidente do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannepeter, afirmou que o aumento dos juros mexe com toda a cadeia produtiva. "Não afeta minha empresa diretamente, mas atinge a todos. É um impacto coletivo", disse Gerdau.

Sinalização

Meirelles disse também que este é o momento de "sinalizar que a economia está bem e que vai continuar assim nos próximos 20 anos".

"Muitas vezes se acha que o empresário é um ser irracional. Mas o empresário é racional na hora de tomar uma decisão de investimento. E previsibilidade é fundamental. E isso é que dá condição para os empresários investirem", diz o presidente do BC.

Meirelles apresentou números que mostram a consistência da economia brasileira e como o país conseguiu sair da crise tão rapidamente.

"Nos meses da crise, a dívida publica caiu 4% porque nossas reservas são maiores que nossa dívida. Também foram liberados R$ 99,8 bilhões, principalmente para bancos pequenos e médios", disse Meirelles.

"Hoje o real faz parte de um grupo de moedas diferente do grupo de países vulneráveis, mais sensíveis", afirmou.

Ele comparou ainda o nível de desemprego no Brasil e no mundo. "O desemprego na Espanha está em 19%; nos Estados Unidos, 9,7%; na França, 9,3%. E no Brasil está em 7,4% - é um dos menores níveis do mundo", disse.

 (*) A jornalista Anne Dias viajou a convite da organização do 9º Fórum Empresarial

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