Fiesp diz que BC é "refém" de grupos e questiona competência

Da Redação, em São Paulo

Em nota oficial, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) critica o aumento da taxa básica de juros (Selic) de 8,75% para 9,5% e diz que o BC é "refém" de "certos setores", e sua "competência e autonomia" podem ser questionadas.

"Até a competência e a autonomia dessa respeitada instituição [BC] correm o risco de ser colocadas em dúvida", diz a nota.

"Pouca dúvida resta para a ação de um BC acuado, refém de certos setores do mercado e cada vez mais distante dos interesses maiores da sociedade e do país", prossegue o documento.

Paulo Skaf, presidente da entidade, disse que "não há necessidade de subir a taxa de juros, pois existe capacidade instalada na indústria para atender à demanda sem que aconteça pressão sobre os preço"".

Segundo a nota, "a produção, o crescimento e o emprego, mais uma vez, são os perdedores".

Comércio

A Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de SP) disse que o aumento de juros é "precipitado e conservador".

"A decisão do Banco Central de aumentar a taxa Selic para 9,5% ao ano é precipitada, conservadora e freará o consumo interno do país antes mesmo que se possa avaliar os impactos do término dos benefícios fiscais adotados durante o período da crise financeira global. Um novo ciclo de alta nos juros básicos deverá se refletir nos custos dos empréstimos das empresas e das famílias, comprometendo o bom momento do consumo interno."

Segundo a entidade que representa o comércio, "a política monetária conservadora" tende a ser um forte obstáculo ao objetivo de retomar o consumo doméstico. "Além de encarecer o crédito, que permitiu ao mercado interno passar pela turbulência internacional sem grandes percalços", afirma Abram Szajman, presidente da Fecomercio.

Na avaliação da Federação, a necessidade de aumentar os juros para controlar a inflação é "inócua e desnecessária, já que não existem quaisquer indicativos de tendência de alta persistente dos preços".

Trabalhadores

Para Paulo Pereira da Silva (Paulinho), presidente da Força Sindical, "a decisão do Copom é equivocada e perversa para com o setor produtivo, que gera emprego e renda. É lamentável que estejamos virando um paraíso para os especuladores do mundo inteiro, diante da elevada lucratividade paga pela exorbitante taxa de juros do Brasil".

Paulinho diz que os membro do Copom têm "miopia econômica" e levam o Brasil "na contramão do desenvolvimento, usando um método nefasto para conter supostas pressões inflacionárias".

"As autoridades monetárias brasileiras se transformaram em meros aduladores dos especuladores, punindo a produção e estrangulando a abertura de novos postos de trabalho", diz nota distribuída pela Força.

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