Brasil depende muito de investimento de estatais, diz economista

Carlos Iavelberg

Da Redação, em São Paulo

Os investimentos do setor público brasileiro, que atingiram 4,38% do PIB em 2009, representam um índice "razoável", porém o país ainda depende muito dos recursos vindos das empresas estatais. Essa é a opinião do economista Cláudio Gonçalves, conselheiro do Corecon-SP (Conselho Regional dos Economistas de São Paulo). Para ele, o investimento do governo, sem contar as empresas estatais, deveria subir, com redução de gastos de pessoal, por exemplo.

Nesta quarta-feira (26), o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão ligado ao governo federal, divulgou que o investimento do setor público brasileiro em relação ao PIB bateu recorde dos últimos 15 anos.

"Esse é um índice razoável. Entre 4% e 5% (de investimentos públicos em relação ao PIB) é bom para tornar a economia dinâmica e suportar um crescimento anual entre 5% e 6%", afirma Gonçalves.

Para o economista, entretanto, o Brasil ainda depende muito dos investimentos feitos pelas empresas estatais, em especial pela Petrobras. "Temos de ficar de olho no custeio do governo. Muitos recursos estão comprometidos com o pagamento de aposentadorias e salários, entre outros, e tem sobrado pouco para os investimentos", alerta.

Segundo o estudo do Ipea, o peso das estatais federais no volume total de investimentos do governo tem se acentuado desde 2004/2005, chegando próximo de 2% do PIB. Em 2003 as estatais federais investiram R$ 18,7 bilhões, enquanto em 2009 foi alcançada a cifra de R$ 59,8 bilhões.

Embora critique a dependência das estatais, Gonçalves defende a inclusão desses gastos como investimentos públicos. "As estatais são empresas geridas pelo governo, faz sentido incluir esses investimentos."

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