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Eike Batista vê Brasil "virgem" em petróleo e critica Petrobras

Diego Salmen
Maurício Savarese

Do UOL Notícias, em São Paulo

Dono de várias empresas e considerado o homem mais rico do Brasil, Eike Batista afirmou nesta segunda-feira (31) que as reservas de petróleo nacionais praticamente não foram exploradas e que existe um potencial de 10 bilhões de barris apenas em águas rasas, sem contar o pré-sal. O empresário criticou a Petrobras por estar estendendo sua participação a ramos antes ocupados apenas pela iniciativa privada. 

Durante um fórum de debate da revista Exame em São Paulo, o bilionário também criticou seus colegas empresários por reclamarem da falta de concessões de licenças ambientais pelo governo federal durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Eike avaliou que falta a eles capacidade de se arriscar no Brasil, o mesmo comportamento que viu na Petrobras nos últimos 50 anos. "Não interessa a opinião do empresário específico daquela área. Nos últimos sete anos, conseguimos mais de cem licenças. Não tem país melhor que o Brasil para isso. Construímos ativos no valor de US$ 40 bilhões com base nesse Brasil novo", afirmou. 

"Este é um país virgem em termos de exploração de petróleo. Até os países africanos já produzem muito", afirmou o empresário. "A OGX tem identificado em águas rasas até 10 bilhões de barris de petróleo. Nos EUA, nas últimas cinco décadas, foram extraídos 400 bilhões de barris. No Brasil foram 15 bilhões". 

Para o empresário, a Petrobras está investindo em áreas que criam pouco valor para seus investidores, como a exploração de fornecimento de gás. "Acho, sim, que pode estar ficando grande demais. O Brasil é maior do que a Petrobras, que tem esse vício de fazer tudo e não ficar focada na exploração de petróleo", disse. 

Apesar de considerar a Petrobras uma "referência internacional" em exploração de petróleo, o empresário afirmou que na estatal "tudo é muito encrencado". "No Brasil, seria bom se tivéssemos mais empresas no setor de petróleo, com controle nacional. Esse é um setor de US$ 1 trilhão nos próximos anos", avaliou.

Sobre a especialidade da estatal, de perfurar em grandes profundidades, Eike fez piada ao lembrar do vazamento no Golfo do México, na maior tragédia ambiental da história dos Estados Unidos. "As correntes aqui ou vão para a África ou para a Argentina", comentou, arrancando risos da plateia.

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