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Copom começa a discutir nova taxa Selic e analistas já admitem aumento menor do que o previsto

Kelly Oliveira, da Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) inicia na tarde desta terça-feira (20) a quinta reunião do ano para definir a taxa básica de juros, Selic. Amanhã (21), depois do fechamento de mercado financeiro, o BC informará a decisão sobre os juros básicos que, atualmente, estão em 10,25% ao ano.

O BC usa a Selic como instrumento de controle da inflação. Quando considera que a economia está muito aquecida, com trajetória de inflação em alta, o BC eleva os juros básicos. Analistas do mercado financeiro consultados pelo BC não mudaram a projeção de aumento de 0,75 ponto percentual nesta reunião, segundo o boletim Focus, divulgado ontem (19). As projeções das instituições consultadas foram coletadas na semana passada.

Enquanto a expectativa para a elevação da Selic divulgada no Focus permaneceu a mesma, dados recentes sobre inflação e crescimento da economia têm feito alguns analistas mudarem a expectativa de última hora. O Bradesco, por exemplo, reduziu ontem a projeção de alta da Selic de 0,75 ponto percentual para 0,5 ponto percentual.

Em relatório, o banco cita que, na última semana, dados de emprego, vendas no varejo e vendas de imóveis continuaram a surpreender negativamente os analistas. Além disso, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) mostrou acomodação da economia em maio deste ano. Com isso, avalia o banco, é necessário fazer a revisão sobre a velocidade de expansão da economia e há "um claro aumento da incerteza sobre o cenário prospectivo. A experiência internacional de bancos centrais, assim como a teoria econômica, mostra que, quando há aumento da incerteza, a política monetária caminha mais devagar, ainda que mantenha a direção", argumenta o banco.

O analista da Tendências Consultoria Rafael Bacciotti, entretanto, afirma que, apesar dos sinais de desaceleração da economia nos últimos meses, o segundo semestre deve voltar a apresentar aquecimento "ainda que em ritmo menor de crescimento da economia". Para Bacciotti, permanecem os "sinais claros" de descompasso entre a oferta e a demanda por bens e serviços. Segundo ele, a desaceleração observada no segundo trimestre deste ano foi um ajuste, resultado do fim de incentivos fiscais. Por isso, a consultoria mantém a perspectiva de aumento de 0,75 ponto percentual na reunião desta semana.

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