Vender brigadeiro pode ser lucrativo; saiba os cuidados para começar

Afonso Ferreira
Do UOL, em São Paulo

Doce típico brasileiro famoso nas festas infantis, o brigadeiro ganhou espaço no mercado. Nos últimos dois anos, algumas empresas, como a Brigaderia e a Maria Brigadeiro,  especializaram-se em criar receitas e sabores diferentes para o produto e estão faturando milhões.

Mas, em uma atividade em que é comum começar de maneira informal, o professor de gastronomia do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) Nicolas Ferreira Rodrigues diz que só uma boa receita não é o bastante para ter sucesso.


Segundo ele, é preciso ter conhecimento da administração do negócio e estudar a entrada no mercado. "O empreendedor tem de pensar que não vai mais vender para amigos, ele não pode atrasar a entrega. Tem de criar diferenciais, agregar valor ao produto e melhorar o que os outros já fazem."

Rodrigues afirma que, nas capitais, já há uma saturação de lojas especializadas em brigadeiros. Porém, ainda existe espaço para novos negócios, principalmente em cidades do interior.

"O brigadeiro corre risco de ser negócio da moda quando as pessoas veem alguém tendo sucesso e tentam copiar o modelo precipitadamente e sem planejamento. Mas, se elas pensarem corretamente e souberem administrar, conseguirão manter longevidade do negócio", declara.

Empresa cria máquina para enrolar brigadeiros

Atento ao crescimento de empresas no setor de brigadeiros, a Bralyx criou uma máquina para enrolar o doce e cobri-lo com chocolate granulado. O público-alvo do equipamento são as padarias, supermercados e empresários autônomos.

Segundo o presidente da empresa, Gilberto Poleto, 63, a máquina agiliza a produção dos brigadeiros e profissionaliza a atividade. "Ela padroniza o tamanho e o peso de todas as unidades e evita lesões nas mãos por movimento repetitivo."

O equipamento enrola 3.000 unidades por hora, custa cerca de R$ 40 mil e é vendido sob encomenda. A empresa também fabrica outra máquina que faz a mistura e o cozimento do chocolate, comercializada por R$ 15 mil.

Brigadeiros rendem faturamento de R$ 10 milhões

Com pouco tempo no mercado, a Brigaderia já é uma das maiores do setor. Só em 2011, a empresa faturou R$ 10 milhões. De acordo com a criadora da marca, Taciana Kalili, 35, uma das explicações para o sucesso foi a escolha dos pontos comerciais.

Todas as dez unidades de venda estão localizadas em shoppings e aeroportos de grande fluxo de pessoas, com predominância do público das classes A e B. "Foi uma estratégia muito bem pensada. Optamos por trabalhar com ingredientes importados, o que aumenta custo do produto final", diz.

A expansão da rede incluiu também a ampliação da fábrica, que atualmente produz 10 mil brigadeiros por dia. No total, a empresária investiu, aproximadamente, R$ 3,5 milhões na expansão.

Embalagem estilizada transformou doce em opção de presente

Kalili começou o negócio de maneira informal, vendendo o doce sob encomendas. No Natal de 2009, ela decidiu testar o brigadeiro como presente e colocou o produto em embalagens estilizadas.

A novidade agradou e foi aí que ela percebeu uma brecha para entrar no mercado, em 2010. "Desde o inicio pensei em agregar valor ao brigadeiro. Investi no visual da loja e em embalagens com estilo. As pessoas passaram a ver [o doce] como ótima opção de presente", afirma.

Além dos brigadeiros, a Brigaderia comercializa outros produtos exclusivos ligados ao consumo do doce, como canecas, colheres, porcelanas, caçarolas e embalagens. Porém, os brigadeiros ainda são o carro-chefe da empresa e 20% do faturamento é obtido com a venda deles para eventos.

Para se manter no mercado, Kalili pretende ampliar o número de lojas e inaugurar a segunda fábrica, em setembro. "Vai ser uma espécie de 'Fantástica Fábrica de Brigadeiros', aberta à visitação do público", declara.

Empresária se capacita para profissionalizar atividade

Também de modo informal, a empresária Juliana Motter, 35, começou a vender os primeiros brigadeiros sob encomendas, em 2007. apenas em 2010, com o aumento da demanda, ela viu a necessidade de abrir uma loja, a Maria Brigadeiro.

Motter aprendeu a preparar o doce com a avó, mas precisou de muito estudo para profissionalizar a atividade. Durante dez anos, trabalhou como jornalista e se especializou em gastronomia. Até fez faculdade na área, momento em que percebeu que o doce típico brasileiro não era valorizado.

"Não havia aulas específicas para brigadeiros nos cursos que fiz. Ele era subaproveitado nas festas infantis. Toda técnica que aprendia em outras receitas, aplicava por conta própria no brigadeiro", diz.

Como diferencial, a empresária aposta no brigadeiro gourmet, feito na hora e de forma artesanal. "Para ter sucesso, não basta só colocar o produto dentro de uma caixa, ele tem de ter sabor e qualidade, senão o cliente não compra outra vez", afirma Motter.

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