Elétricas perdem R$ 37,2 bi na Bolsa após anúncio de Dilma, diz consultoria

Do UOL, em São Paulo

As empresas brasileiras de energia com ações na Bolsa de Valores perderam R$ 37,2 bilhões em valor de mercado em pouco mais de quatro meses. Segundo a consultoria Economatica, o início da queda foi no dia 6 de setembro, quando a presidente Dilma Rousseff anunciou a intenção de diminuir em cerca de 16% o valor da conta de luz.

Os R$ 37,2 bi representam 18,03% do valor de mercado dessas empresas. No dia do anúncio da presidente, o valor de mercado das empresas era de R$ 206,40 bilhões. Ontem, no fechamento do pregão, elas estavam avaliadas em R$ 169, 17 bi.

A Cemig lidera as perdas na Bolsa, com queda de 34,67% no período (a empresa perdeu R$ 9,85 bilhões em valor de mercado).

Porém, a empresa com maior queda percentual em pouco mais de quatro meses é a Eletrobras. A empresa está valendo quase a metade (-48,46%). O valor de mercado da empresa caiu de R$ 19,22 bi para R$ 9,9 bilhões. 

Das 34 empresas do setor analisadas pela Economatica, dez delas têm valor de mercado inferior ao seu patrimônio líquido. Isso significa que os investidores estão pagando menos do que as empresas valem.

VEJA A ÍNTEGRA DO PRONUNCIAMENTO DE DILMA DO DIA 06/09/2012

O que as concessões das elétricas têm a ver com a conta de luz mais barata?

Na véspera do feriado de 7 de setembro, a presidente Dilma Rousseff anunciou que a conta de luz ficaria mais barata para consumidores e empresas a partir de 2013. A medida era uma reivindicação antiga da indústria brasileira para tornar-se mais competitiva em meio à crise global.

Para conseguir baixar a conta de luz, o governo precisou "mudar as regras do jogo" com as companhias concessionárias de energia, e antecipou a renovação dos contratos que venceriam entre 2015 e 2017. Em troca de investimentos feitos que ainda não tiveram tempo de ser "compensados", ofereceu uma indenização a elas.

Algumas empresas do setor elétrico ofereceram resistência ao acordo, alegando que perderiam muito dinheiro.   

Desde o anúncio de Dilma, as ações de empresas ligadas ao setor passaram a operar em baixa na Bolsa de Valores. Com isso, o setor elétrico, que era historicamente atrativo por ter resultados e dividendos estáveis ou crescentes mesmo em crises econômicas, passou a ser alvo de desconfiança de investidores desde então no mercado acionário brasileiro.

(Com informações de agências)

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