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'Crise não bateu na porta da família brasileira', diz Mantega sobre PIB fraco

Alan Marques/Folhapress
Imagem: Alan Marques/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

01/03/2013 11h31Atualizada em 01/03/2013 11h53

Mesmo com o crescimento de 0,9% da economia em 2012, para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a crise econômica mundial não foi sentida pelos brasileiros.

"A crise internacional não bateu na porta da família brasileira. Em 2012, tivemos um ótimo resultado do emprego. Os brasileiros estão adquirindo casa própria, automóveis... Para a população foi um ano de melhoria das condições de vida", disse.

A economia brasileira teve em 2012 o pior desempenho anual desde 2009, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Para o ministro, a economia brasileira tem mostrado reação em relação ao cenário de crise internacional, mesmo que o resultado de 2012 tenha ficado abaixo das expectativas.

"A aceleração da economia está se mantendo. No ultimo trimestre do ano anterior, o investimento voltou a reagir. Para 2013 teremos um cenario mais benigno", declarou.

O ministro afirmou ainda que o Brasil criou condições para o que o crescimento volte ao patamar acima de 4% ao ano. Para ele, a confiança dos investidores está voltando ao Brasil, e o desempenho do varejo em 2013 deverá ser semelhante ao que foi visto no ano passado.

PIB de 2012

Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 4,403 trilhões em 2012. O PIB per capita alcançou R$ 22.402, mantendo-se praticamente estável (0,1%) em relação a 2011.

Investidores e economistas aguardavam por vários trimestres uma recuperação gradual da economia após várias medidas de estímulo anunciadas pelo governo de Dilma Rousseff, incluindo redução da taxa básica de juros (Selic), cortes de impostos ao consumidor e redução dos encargos trabalhistas.


Serviços crescem 1,7%, mas indústria e agropecuária encolhem

Considerando os três setores da economia, serviços foi o único que apresentou desempenho positivo no acumulado de 2012, com alta de 1,7%. Por sua vez, a indústria encolheu 0,8% e a agropecuária despencou 2,3%.

O resultado da agropecuária decorreu, em grande parte, do fraco desempenho da pecuária e da queda de produção e de produtividade de várias culturas importantes da lavoura brasileira, com exceção do milho e do café.

"O resultado do último trimestre do ano passado implica uma pequena aceleração da economia, mas que ficou abaixo do que se esperava anteriormente", afirmou o economista-chefe do Banco Votorantim, Leonardo Sapienza.

Previsão de crescimento foi caindo ao longo de 2012

Em 2011, a economia cresceu 2,7%. Para 2012, a previsão inicial do governo era crescer 4,5%. Porém, os efeitos da crise global foram pesando, e a estimativa foi ficando cada vez menos otimista: caiu para 3% em agosto, e para 2% em setembro.

A previsão era ainda mais negativa do ponto de vista do Banco Central, que falou em crescimento de 1% em seu relatório de dezembro. Já analistas de mercado rebaixaram a previsão para 0,98%, segundo o último Boletim Focus divulgado pelo BC no ano passado.

Pão, carro e novela entram na conta; clique abaixo e entenda

  • Raphael Salimena/UOL

Entenda como é feito o cálculo do PIB

O PIB (Produto Interno Bruto) é a soma de todos os bens e serviços produzidos em um país durante certo período. Isso inclui do pãozinho até o apartamento de luxo.

O índice só considera os bens e serviços finais, de modo a não calcular a mesma coisa duas vezes. A matéria-prima usada na fabricação não é levada em conta. No caso de um pão, a farinha de trigo usada não entra na contabilidade.

Um carro de 2011, por exemplo, não é computado no PIB de 2012, pois o valor do bem já foi incluído no cálculo daquele outro ano.

O primeiro fator que influencia diretamente a variação do PIB é o consumo da população. Quanto mais as pessoas gastam, mais o PIB cresce. Se o consumo é menor, o PIB cai.

O consumo depende dos salários e dos juros. Se as pessoas ganham mais e pagam menos juros nas prestações, o consumo é maior e o PIB cresce. Com salário baixo e juro alto, o gasto pessoal cai e o PIB também. Por isso os juros atrapalham o crescimento do país.

Os investimentos das empresas também influenciam no PIB. Se as empresas crescem, compram máquinas, expandem atividades, contratam trabalhadores, elas movimentam a economia. Os juros altos também atrapalham aqui: os empresários não gastam tanto se tiverem de pagar muito pelos empréstimos para investir.

Os gastos do governo são outro fator que impulsiona o PIB. Quando faz obras, como a construção de uma estrada, são contratados operários e é gasto material de construção, o que ele eleva a produção geral da economia.

As exportações também fazem o PIB crescer, pois mais dinheiro entra no país e é gasto em investimentos e consumo.

(Com Reuters)