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BC mantém juros em 7,25% ao ano; poupança vai render 5,08%

Do UOL, em São Paulo

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidiu manter a taxa básica de juros (a Selic) em 7,25% ao ano, continuando em seu recorde histórico de baixa. A decisão foi unânime entre os integrantes do comitê.

Com isso, a "nova" poupança continua rendendo menos do que a "antiga". A poupança vai continuar rendendo 5,08% ao ano mais a TR (5,08% é 70% da Selic, conforme determina a nova regra adotada em maio de 2012). Antes de as regras mudarem, a poupança rendia 6,17% ao ano mais a TR. Analistas dizem que há pouco impacto para investidores.

O comitê divulgou nota sobre a decisão, citando a inflação e dizendo que irá acompanhar a situação da economia.

"Avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 7,25% ao ano, sem viés [sem indicação de alta ou baixa para o próximo encontro]. O Comitê irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária", diz a nota.

Alguns analistas esperavam uma alta da taxa de juros para combater a inflação, que tem preocupado o governo. Quando os juros sobem, as pessoas tendem a gastar menos e isso faz o preço das mercadorias cair, controlando a inflação, em tese.

Esta foi a quarta reunião seguida do Copom, desde outubro do ano passado, em que a taxa fica em 7,25%, depois de uma sequência de dez cortes.

Os juros de 7,25% são os menores que o Brasil já teve desde o início da série histórica da Selic, em 1986.

A série de dez reduções seguidas foi registrada de agosto de 2011 a outubro do ano passado. Em agosto de 2011, os juros estavam em 12,5%.

Mudança na poupança vale para depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012

Com juros baixos, a poupança rende menos porque, pelas novas regras, determinadas em maio de 2012, o rendimento fica menor sempre que a Selic estiver em 8,5% ou menos ao ano.

Antes das mudanças, o ganho da poupança era de 6,17% ao ano, mais a TR, em qualquer situação.

Pelas novas regras da poupança, anunciadas pelo governo federal no começo de maio, sempre que a Selic ficar em 8,5% anuais ou menos, muda o rendimento dos depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012 . 

A mudança vale tanto para poupanças que já existiam e para as que foram abertas a partir de 4 de maio de 2012. O dinheiro que já estava nas poupanças antigas continua rendendo conforme as regras anteriores. O que muda para essas contas antigas são os novos depósitos. Esses já entram na regra nova.

Com os juros em 8,5% ou menos ao ano, a "nova" poupança rende 70% da Selic, mais a TR (Taxa Referencial). Para os depósitos feitos antes de 3 de maio de 2012, nada muda. Nesse caso, o rendimento continua sendo o antigo, de 0,5% ao mês (ou 6,17% ao ano), mais a variação da TR.

Os bancos têm de informar o rendimento da poupança em blocos diferentes no extrato. Um dos blocos informará o rendimento dos depósitos feitos até 3 de maio de 2012. Os outros deverão trazer o rendimento dos depósitos feitos depois de 4 de maio de 2012.

Para calcular quanto vai ganhar, o poupador deverá sempre considerar a Selic vigente no dia em que ele efetuou o depósito.

Governo tem tomado medidas para reduzir os juros ao consumidor

O governo tem tomado medidas para reduzir os juros diretos ao consumidor. A onda de cortes de juros nos bancos começou no início de abril do ano passado, com os bancos públicos, e continuou com os bancos privados. 

A preocupação com os juros é que eles dificultam o crescimento da economia. Com juros mais altos, as empresas investem menos, porque fica caro tomar empréstimos para produção, e as pessoas também reduzem seus gastos, porque o crediário fica mais caro. Essa situação deixa a economia com menos força. Reduzir os juros, ao contrário, estimula a produção e o consumo, melhorando o PIB (Produto Interno Bruto).

A taxa básica de juros orienta o restante da economia, mas há pouco impacto na vida prática de quem precisa usar o cheque especial ou cartão de crédito. Analistas dizem que essas taxas são tão altas que pequenas variações na Selic são incapazes de aliviar ou pesar no bolso no dia a dia.

Antes do início do governo Dilma, a Selic estava em 10,75%. No primeiro mês dela (janeiro de 2011), subiu para 11,25%.

A Selic é usada pelo BC para tentar controlar o consumo e a inflação ou estimular a economia. Quando a taxa cai, estimula o consumo. Quando sobe, reduz a atividade econômica porque os empréstimos e as prestações ficam mais caros.

O Copom foi instituído em junho de 1996 para estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa de juros, mas a Selic já era usada como indicador desde 1986.

O colegiado é composto pelo presidente do Banco Central e os diretores de Política Monetária, Política Econômica, Estudos Especiais, Assuntos Internacionais, Normas e Organização do Sistema Financeiro, Fiscalização, Liquidações e Desestatização, e Administração.

(Com informações da Reuters)

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