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07/10/2008 - 10h25

Garanta o sucesso de sua apresentação

Reinaldo Polito
Uma das maiores dificuldades de quem precisa falar em público é a escolha da forma de apresentação da mensagem. Por causa da insegurança e do receio de esquecer as informações alguns recorrem à fala decorada e à leitura.

Esses dois recursos, entretanto, de maneira geral, por apresentarem muitos inconvenientes, são os menos indicados. Devem se utilizados em momentos específicos, sendo que a fala decorada quase nunca é recomendada.

O maior problema da fala decorada talvez seja o risco constante de se esquecer de uma palavra importante na ligação de duas idéias. Nessa circunstância, enquanto a palavra não surge, para o orador uma fração de segundo parecerá uma eternidade.

Além da pressão de tentar ali diante da platéia se lembrar da informação, considere ainda que, normalmente, quem decora não se prepara para falar de improviso e por isso fica sem condições de manter a seqüência da exposição.

Outra desvantagem da fala decorada é o artificialismo. Quem decora tende a ficar com um brilho nos olhos, como se estivesse lendo um papel depositado na sua mente, enquanto se esforça para se lembrar da seqüência memorizada.

E para encerrar as "contra-indicações" da fala decorada está o fato de o orador deixar de aproveitar informações do ambiente, que poderiam ajudar a tornar o discurso mais estimulante e atraente.

Em tom de brincadeira é possível dizer que quem decora fica tão preocupado em se esquecer do roteiro memorizado que se você observar bem vai notar que ele nem movimenta a cabeça, com receio de misturar as informações.

A leitura, embora possa ser uma forma de apresentação recomendada para algumas circunstâncias, conforme já mostrei nesta mesma coluna, sua indicação, todavia, se restringe a situações especiais, devendo ser evitada na maioria dos casos.

Entre o céu e o inferno, entretanto, há excelentes recursos que podem tornar a apresentação muito mais eficiente, como é o caso do roteiro escrito. É um procedimento muito simples, prático e fácil de ser usado.

Escreva numa folha de papel algumas frases que ajudem a ligar a seqüência da sua apresentação. Cada frase deverá conter uma idéia completa, isto é, a essência do pensamento que deseja comunicar.

Quando estiver diante da platéia você deverá ler a frase e em seguida fazer comentários a respeito dela, criticando, elogiando, ampliando, concordando, discordando, associando com outras informações, até que essa parte da mensagem esteja concluída.

Logo após você deverá ler a próxima frase e fazer outras observações. E assim, lendo as frases e fazendo comentários que as complemente poderá realizar uma boa apresentação.

A vantagem do roteiro escrito é que com esse recurso você terá a segurança da seqüência de todas as etapas importantes da apresentação, relacionadas pelas frases que serão lidas, e a liberdade para desenvolver o raciocínio diante dos ouvintes.

O roteiro escrito poderá ser utilizado em qualquer circunstância e em todos os momentos se mostrará sempre muito útil. Muitos oradores experientes se valem dele como recurso para apoiar suas apresentações.

Ao levar o roteiro escrito como apoio da sua apresentação aja com naturalidade e leia as frases sem tentar disfarçar essa atitude. Se perceber que os comentários complementares consumirão tempo prolongado deixe a folha de papel sobre a mesa ou coloque-a no bolso para ter um pouco mais de liberdade com as mãos.

Quando, entretanto, os comentários forem mais rápidos continue com o papel na mão, pois o fato de guardar e pegar muito seguidamente a folha com as anotações pode passar a idéia de insegurança ou hesitação.

Em apresentações menos complexas você poderá usar um cartão de notas. Esse recurso é diferente do roteiro escrito. Consiste em um cartão pequeno, uma folha de cartolina aproximadamente do tamanho da palma da mão.

Nesse cartão você anotará as palavras mais importantes na seqüência da sua apresentação, além de algumas cifras e datas que precisariam ser mencionadas.

Observe que os dois recursos são muito diferentes. O roteiro escrito contém frases com idéias completas que deverão ser lidas, enquanto que o cartão de notas possui apenas as palavras que ajudarão a constatar se a seqüência planejada para a apresentação está sendo seguida.

Embora o roteiro escrito seja recomendado para apresentações mais longas e complexas e o cartão de notas para exposições mais curtas e simples, nada o impedirá de optar por um ou por outro em qualquer circunstância.

Lembre-se de que a responsabilidade pelo sucesso ou pelo fracasso da apresentação é de quem fala.

Por isso, você deverá escolher aquele com o qual possa se sentir mais confortável.

SUPERDICAS DA SEMANA
- Recorra sempre que desejar a um recurso de apoio
- Segure a folha ou o cartão naturalmente, sem disfarçar a leituraê
- Escreva com letras grandes para ler com mais facilidade
- Se usar vários cartões, numere-os para não se perder
- Escolha o recurso com o qual se sinta mais à vontade
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Livros de minha autoria que tratam desse tema: "Como falar de improviso e outras técnicas de apresentação", "Como falar corretamente e sem inibições", "Superdicas para falar bem" e "Oratória pra advogados e estudante de direito", publicados pela Editora Saraiva
Reinaldo Polito

Reinaldo Polito é mestre em ciências da comunicação, palestrante e professor de expressão verbal. Escreveu 19 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares

Site: www.reinaldopolito.com.br
e-mail: polito@uol.com.br

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