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02/07/2009 - 10h05

Após crise chegar ao Brasil, mulheres perderam mais empregos que homens

SÃO PAULO - O processo de aumento do número de mulheres no mercado de trabalho, que foi observado nos últimos anos, foi freado. Nos oito meses que seguiram os primeiros sinais da crise no Brasil, entre setembro de 2008 e abril deste ano, a ocupação feminina caiu 3,13%. No caso dos homens, a redução foi um pouco menor, de 1,57%.

Entre as seis regiões brasileiras pesquisadas, o crescimento da PEA (População Economicamente Ativa) feminina foi menor que o da PEA masculina, no período analisado. Em Salvador, a PEA feminina caiu 3%; em Porto Alegre, a queda foi de 2,3%; e, em São Paulo, o recuo foi de 1,9%. No caso da PEA masculina, não houve decréscimo em nenhuma das regiões pesquisadas.

O fato pode ser explicado por traços da cultura patriarcal brasileira. Em situações de perda de emprego/ocupação no núcleo familiar, há maior probabilidade de que mulheres retornem às suas casas e se responsabilizem pelas atividades domésticas do que homens.

Os dados, divulgados nesta quinta-feira (2), fazem parte de um boletim da SPM (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres) em pareceria com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e a OIT (Organização Internacional do Trabalho).

Setores

Entre os setores, as maiores quedas relativas na ocupação feminina, após a crise econômica mundial, ocorreram na Indústria extrativa e de transformação e produção e distribuição de eletricidade, gás e água (-8,38%) e no Comércio, Reparação de Veículos e Objetos Pessoais (-5,82%).

Os dados ainda mostram que, entre os homens, as maiores quedas de ocupações foram em Serviços Domésticos (-5,66%) e Indústria (-4,81%).

Nos meses após a crise econômica mundial, houve uma certa substituição da mão-de-obra masculina pela feminina no setor da construção civil. Enquanto o nível de ocupação dos homens neste segmento caiu 3%, houve uma elevação da ocupação feminina de 17%. Vale ressaltar que este movimento de feminização da construção civil já vinha sendo verificado em outros períodos. Nos meses de janeiro a agosto de 2008, houve uma elevação de mais de 23% no total de mulheres empregadas no setor e uma alta de 6% entre os homens.

Vale ressaltar ainda que a maior queda na ocupação feminina ocorreu para as trabalhadoras sem carteira assinada no setor privado (-13,53%). As com carteira assinada tiveram um recuo de 0,6%. No caso dos homens, a queda na ocupação aconteceu, sobretudo, para aqueles que desenvolvem trabalho sem remuneração (-13,7%) e também sem carteira assinada (-10,1%).

Salários

Com relação aos salários, as mulheres continuam ganhando menos do que os homens. No período de outubro de 2008 a abril deste ano, os salários de admissão das mulheres foram, inequivocamente, mais baixos que os salários de admissão dos homens.

Essa desigualdade salarial foi ainda mais acentuada na faixa de escolaridade do Ensino Médio completo, na qual as mulheres foram admitidas com um salário inicial que corresponde, em média, a 81,26% do salário inicial dos homens admitidos.

As mulheres que têm o Ensino Fundamental completo recebem 80,63% do salário dos homens com o mesmo nível de escolaridade. Aquelas que possuem o Ensino Superior incompleto, por sua vez, recebem 65,39%.

Sobre o estudo

O estudo tem como objetivo divulgar mensalmente indicadores conjunturais sobre a estrutura do mercado de trabalho feminino a partir dos dados coletados na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) e no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), produzidos pelo IBGE e pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), respectivamente.

Os indicadores calculados se referem à participação da população no mercado de trabalho formal e informal, taxas de desemprego, população ocupada e rendimento, por setores de atividade econômica e posição na ocupação, entre outros aspectos. Sempre que possível, as informações serão apresentadas também para as desagregações de raça/cor, idade e escolaridade da população.

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