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27/07/2009 - 15h53

Após privatização, média salarial dos profissionais de telecomunicações diminui

SÃO PAULO - Os salários dos profissionais que atuam no setor de telecomunicações sofreram reduções desde a privatização dos serviços. No ano de 1997, a remuneração média era de R$ 3.142 mensais. Dez anos depois, em 2007, a média salarial foi para R$ 2.683.

Essa média salarial está caindo ano a ano. Em 2006, a remuneração média desses trabalhadores era de R$ 2.921. Essa queda pode ser explicada devido ao fato de que os empregos gerados nesse período eram, em sua maioria, para ocupações com baixa remuneração.

Em 2006, 30,2% das vagas criadas eram para trabalhadores que iriam receber entre dois e cinco salários mínimos. No ano seguinte, esse percentual subiu para 32,4%. Os dados fazem parte do estudo "O emprego no setor de telecomunicações após a privatização" divulgado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), nesta segunda-feira (27).

Outra constatação feita pela pesquisa é que, no ano de 2007, as mulheres ganhavam aproximadamente 70% do rendimento médio salarial obtido pelos homens.

Emprego

Com relação ao mercado de trabalho no setor de telecomunicações, no período de transição da privatização do segmento, o número de vagas criadas diminuiu. Entre 1994 a 1998, houve uma redução de 16%, resultado que pode ser explicado pelos programas de demissões voluntárias realizados pelas antigas estatais de telefonia e também pela terceirização de serviços como limpeza e vigilância.

Já nos anos de 1999 a 2000, o setor voltou a contratar, com uma alta de 9,5%. No período seguinte, entre 2001 a 2003, o setor registrou novamente uma queda em relação ao número de contratações, sendo que o ano de 2003 apresentou o menor patamar de número de empregados durante todo o período de análise da pesquisa, com 88,1 mil trabalhos formais.

A partir de 2004 até o ano de 2007, houve uma ampliação no número de empregos para o setor de telecomunicações, passando de 113,3 mil empregados formais em 2004 para 123 mil no ano de 2007. Vale ressaltar também que 62% desses empregados estão no eixo Rio-São Paulo, no qual São Paulo conta com 45% desses trabalhadores e Rio de Janeiro, com 17%.

Perfil do trabalhador

A pesquisa também destaca que o perfil do trabalhador de telecomunicações está mudando. Desde a privatização, houve uma ampliação da participação feminina e do número de jovens. No ano de 1997, as mulheres correspondiam a 34,7% do número de funcionários do setor, já em 2005, a participação das mulheres foi de 41,1%.

Com relação aos jovens, entre 1997 e 2005, a participação do público com a faixa etária de até 24 anos no setor de telecomunicações passou de 10,8% para 23,8%.

O número de empregados entre 25 e 29 anos de idade também aumentou na mesma base comparativa, passando de 11,6% para 24,6%. Por outro lado, a participação dos empregados com mais de 50 anos caiu de 9% para 5,4% no mesmo período.

Além disso, após a privatização, também foi possível constatar uma mudança com relação ao grau de escolaridade dos empregados desse setor. Em 2007, 51,1% dos funcionários de telecomunicações tinham o Ensino Superior completo ou incompleto e 40,6% já haviam concluído o ensino médio. Em 2005, 35,2% tinham o Superior completo, ante 15,5% que o tinham incompleto e 42,5% haviam terminado o Ensino Médio.

Ainda em 2007, apenas 3% relataram que não haviam finalizado o Ensino Médio e o mesmo percentual também disse que finalizou o Ensino Fundamental. Já 2,1% disseram que não terminaram o Ensino Fundamental e 0,1% possuem uma pós-graduação Stricto Sensu.

Sobre o estudo

O Diesse utilizou como fonte para a elaboração desse estudo os dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), documento pertencente ao Ministério do Trabalho e Emprego que reúne informações fornecidas por todas as empresas brasileiras sobre seus respectivos quadros de funcionários em 31 de dezembro de cada ano.

O estudo conta com informações do período entre 1994 a 2007. Vale ressaltar que, por ter havido mudanças na CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas), não foi possível fazer uma análise contínua de todo o período. Dessa forma, o estudo foi dividido em duas fases: uma referente ao período de 1994 a 2005 e outra sobre os anos de 2006 e 2007.

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