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12/08/2009 - 14h01

Impacto da crise no emprego foi menor do que o esperado, mas reação tem sido lenta

SÃO PAULO - A crise econômica mundial gerou impactos negativos para o mercado de trabalho brasileiro no primeiro semestre deste ano. Porém, o resultado não foi tão ruim quanto as expectativas feitas no final do ano passado.

A taxa de desemprego medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) de janeiro a junho deste ano ficou praticamente nos mesmos patamares do mesmo período do ano passado.

Em junho, a taxa de desemprego ficou apenas 0,2 ponto percentual acima da taxa do mesmo mês do ano passado, devido à retração da oferta de vagas, de acordo com o Boletim de Mercado de Trabalho, divulgado nesta quarta-feira (12) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

O estudo constata ainda, a partir da análise de outros indicadores de nível de desemprego, como a pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), que São Paulo registrou o maior aumento da taxa de desocupação: 0,8 ponto percentual no primeiro semestre de 2009, frente ao mesmo período do ano passado. Enquanto que, em Salvador, Porto Alegre e Belo Horizonte, as taxas caíram.

Grau de escolaridade e chefes de família

A pesquisa também indicou que quanto maior o grau de escolaridade, maior a taxa de desemprego. Os trabalhadores com pelo menos 11 anos de estudo completo tiveram uma alta de 0,6 ponto percentual no nível de desocupação no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2008. Já entre os trabalhadores dos demais graus de escolaridade, as taxas ficaram estáveis.

Além disso, houve um aumento do desemprego entre os chefes de família. Apesar do indicador de desocupação ser menor para eles do que para outros membros da residência, a taxa de desemprego para o grupo, na mesma base comparativa, teve alta de 0,5 ponto percentual.

Informais perdem espaço

Ao observar os níveis de ocupação, no primeiro semestre deste ano, a média da população ocupada foi de aproximadamente 21 milhões de pessoas, alta de 0,7% ante o mesmo período do ano anterior. Entretanto, em junho deste ano, a taxa foi menor do que a do mesmo mês de 2008.

A taxa de ocupação entre os trabalhadores informais, sem carteira assinada, nos seis primeiros meses deste ano, ficou em 38,1%, o que representa uma queda de 1,1 ponto percentual em relação a 2008.

Rendimento e massa salarial

Nos seis primeiros meses deste ano, o rendimento salarial médio dos trabalhadores diminuiu de forma contínua, com uma perda de aproximadamente R$ 33 ou 2,5%.

Segundo o Ipea, essa queda no rendimento médio não é consequência de movimentos de realocação dos trabalhadores entre empregos, mas sim de um reflexo da queda de rendimento do grupo de trabalhadores com participação expressiva na população ocupada. Dessa forma, os trabalhadores com Ensino Médio completo, que é o grupo de maior participação da população ocupada, tiveram uma perda salarial de 3,9%.

A pesquisa conclui que a intensidade da recuperação dos níveis de emprego nesse segundo semestre, bem como dos salários, vai depender da velocidade da retomada dos investimentos.

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