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01/09/2009 - 15h55

Sem estímulo do governo, demissões teriam sido maiores, aponta Ipea

SÃO PAULO - Um dos efeitos da crise no lado real da economia foi no emprego. Com a retração da demanda, as empresas passaram a produzir menos, ajustando a mão-de-obra ao novo cenário. E, apesar dos incentivos do governo terem aumentado as vendas, as contratações não responderam na mesma proporção.

De acordo com estudo divulgado nesta terça-feira (1) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a desoneração do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) em automóveis, por exemplo, não foi suficiente para elevar o nível de emprego no setor, já que a cadeia automobilística manteve a tendência de redução do emprego ao longo do primeiro semestre.

Em janeiro e fevereiro, ocorreu a redução de 22.688 empregos formais na cadeia automobilística. Em maio e junho, a perda foi de 3.838, embora tenha havido intenso aumento das vendas nos meses de março e junho, quando a desoneração do IPI se encerraria, embora nas duas ocasiões ela tenha sido prorrogada.

Sem IPI reduzido, impacto pior

Apesar de os empregos não responderem tão imediatamente aos estímulos do governo quanto as vendas, é possível dizer, de acordo com o estudo, que, sem a redução das alíquotas do IPI, o desempenho na cadeira automobilística teria sido pior.

Dados do Ipea mostram que a produção de automóveis, caminhonetas e utilitários no valor de R$ 1 milhão gera cerca de 25 empregos diretos e indiretos na economia como um todo. Com a estimativa de que a redução do IPI elevou a produção nacional em R$ 2,4 bilhões, a geração de emprego causada pela medida foi de 50 mil a 60 mil* empregos diretos e indiretos no primeiro semestre.

O instituto ressalta que o dado mostra a importância da redução do IPI para a manutenção do nível de emprego na economia. "Este é, inclusive, outro canal a reduzir o custo fiscal da desoneração, pois a manutenção do emprego contribuiu para elevar a receita previdenciária e evitar despesas com o seguro-desemprego".

*Para chegar ao resultado, o Ipea usou como hipótese que a redução do IPI aumentou as vendas nacionais entre 100 mil e 120 mil unidades e que o preço médio dos veículos, em valores de 2005 e descontados os impostos e as margens de comércio e transporte, é de R$ 20 mil.

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