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06/10/2009 - 13h51

Espelho, espelho meu: líder avalia a si próprio melhor do que sua equipe

SÃO PAULO - A maioria dos gestores olha no espelho e enxerga um líder muito melhor do que de fato é. A constatação é de uma pesquisa da DBM Brasil, que contou com a participação de 460 executivos.

De acordo com o estudo, os líderes - executivos em posições de gerência, direção e presidência - se percebem muito mais positivamente do que suas equipes, seus pares e seus superiores.

Resultados

Para verificar se existe diferença entre a autopercepção que os líderes têm e a percepção a partir da análise de seus liderados, a consultoria aplicou questionários distintos aos entrevistados, com a finalidade de cruzar as respostas obtidas.

Independentemente do questionário, porém, todos os participantes do estudo responderam a seguinte pergunta: vocês acreditam ou não que atuam junto a um chefe cujo comportamento é verdadeiramente o esperado de um líder?

Apenas 16% dos entrevistados responderam que sim, que trabalham com um chefe cuja atuação é a esperada de um líder em todos os momentos.

Outros 33% dos entrevistados avaliaram que, frequentemente, o chefe assume o comportamento de líder, ao passo que 32% disseram que a atuação dos chefes como líder ocorre de maneira parcial. Já para 15%, isso se dá somente algumas poucas vezes. Já 4% afirmaram que há lacuna relevante de liderança, pelo fato de os líderes com os quais convivem não atuarem como tal em nenhuma ocasião.

Visão distorcida do próprio trabalho

A diferença é gritante dos resultados obtidos quando a consultoria perguntou ao próprio líder se ele age verdadeiramente como um líder, o que denota uma visão equivocada do próprio trabalho.

Para 19,5% dos líderes, seu comportamento está de acordo com aquilo que é esperado de uma pessoa que ocupa a posição. Além disso, nada menos que 76,5% afirmaram que se comportam como líderes na maior parte do tempo. Somente 4% admitiram que agem da forma correta poucas vezes.

"Quando se autoavaliaram, por meio dos questionários, os líderes expuseram uma percepção de sua performance muito melhor do que aquela que merecem quando são avaliados por seus chefes ou colegas de trabalho que também atuam em posição de chefia. Isso evidencia a distância significativa existente entre como eles se veem e como são vistos", afirma o presidente da DBM Brasil, Cláudio Garcia.

Líderes avaliam outros líderes

Quando esses mesmos líderes são avaliados por outros líderes - com exceção dos líderes imediatos - as distorções se agravam. Os gestores foram questionados se outros profissionais de sua empresa que ocupam postos de chefia se comportam de fato como líderes. Apenas 1% responderam que sim.

Garcia alerta que essas diferenças de percepções afetam negativamente a forma como as pessoas de relacionam no ambiente de trabalho, podendo gerar ineficiência e baixa produtividade, principalmente quando há necessidade de interação para realização de tarefas. "As pessoas agem com base na percepção que têm dos outros", enfatiza. "Se um líder não entende como seus liderados, pares e chefes o percebem, sua efetividade na organização fica limitada e tende a ser prejudicada".

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