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01/02/2010 - 14h12

Especialistas divergem se fim do IPI reduzido afetará emprego formal

SÃO PAULO - A redução do IPI, anunciada para combater os impactos da crise financeira, inclusive a manutenção do emprego nos setores que registraram maior queda nas vendas, está chegando ao fim. Neste domingo acabou o benefício para produtos da linha branca e no mês de março termina a redução da alíquota para carros flex.

Mas será que o mercado de trabalho está preparado para manter um rítmo saudável sem essa medida? As opiniões são divergentes. Enquanto o sindicalista Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, acha que sim, o economista da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcelo Solimeo, diz que não.

Empregos retomados

Para Paulo Pereira da Silva, os números não deixam dúvida: "o Brasil já retomou os empregos perdidos na crise. Já estamos em uma situação normal. O emprego vem crescendo em diversos setores e deve crescer ainda mais. Temos um bom número de contratações nos setores de serviço, comércio e até na indústria. Já recuperamos os empregos perdidos e acho que o mês de janeiro vai registrar ainda mais contratações", afirma.

Porém, o presidente diz que a Força Sindical ficará observando como os setores vão se comportar. "Por mais que a gente acredite que as empresas já estão em condições de se sustentarem sozinhas, somos a favor de atitudes mais cautelosas. Nós achamos, por exemplo, que o governo deveria ter mais calma com relação a redução do IPI. Vamos acompanhar de perto o que vai acontecer e se percebermos que ainda há dificuldades em manter os empregos, vamos agir".

Ainda de acordo com Paulinho da Força - como é conhecido - a economia está se recuperando, mas só estará bem aquecida a partir do mês de março. "Por isso precisamos de bastante atenção e cuidado até lá".

Indústria ainda não retomou empregos

Já para o economista da ACSP, a indústria brasileira ainda não recuperou os postos de trabalho perdidos na crise. "Sei que os números do IBGE e do Caged mostram a criação de diversos postos de trabalho. Realmente há setores, como o de serviços, que está contratando mais e já não sente os impactos da crise. Porém os empregos na indústria, que são os que garantem maior renda e melhor qualidade de vida ao trabalhador, ainda não foram retomados", afirma.

Solimeo explica que para que a indústria volte a contratar normalmente, a redução da carga tributária, a começar pelo IPI reduzido, pode ser de grande ajuda. "A indústria sofreu com a crise de duas maneiras: com a queda do consumo interno e com as exportações. Em parte, o consumo interno estava compensando o declínio das exportações. Precisamos ver como essa situação ficará daqui para frente".

O economista diz ainda que defende uma redução da carga tributária permanente e igualitária. "Com a redução do IPI, apenas alguns poucos setores se beneficiaram e isso é injusto. Defendo que o governo reduza alíquotas para todos os setores, e ele já provou que tem condições de se manter sem as alíquotas escandalosamente altas cobradas atualmente", finalizou.

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