UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

20/05/2010 - 10h07

Dificuldade financeira é maior causa da desistência de universitários

SÃO PAULO – Muitos são os motivos que levam um universitário a desistir do curso e, mesmo com a recente queda nos preços das mensalidades pelo aumento na oferta de vagas nas faculdades particulares, a dificuldade financeira ainda é o maior deles.

Um estudo do Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo) mostrou que a taxa de evasão escolar nas faculdades da região metropolitana atingiu seu maior nível histórico entre 2007 e 2008: 24,21%.

O diretor executivo do Semesp e coordenador da pesquisa, Rodrigo Capelato, concorda que hoje as faculdades ficaram mais acessíveis com o aumento das bolsas, a redução da mensalidade e a maior facilidade em se obter financiamentos estudantis. “Porém, com isso, as instituições de ensino começaram a atingir alunos de classes menos favorecidas, especialmente as C e D. Infelizmente, para esses estudantes, qualquer problema na família, desemprego ou despesa extra é um grande complicador, o que acaba causando a evasão”, explicou.

Ensino básico e inadequação

Para Capelato, há outros motivos importantes que levam à desistência. Entre eles, está o ensino básico de baixa qualidade. “É comum ver o aluno vir com uma formação muito defasada e naqueles cursos com aprofundamento maior em Matemática, por exemplo, acabam não conseguido continuar”.

Levantamentos anteriores do Semesp confirma tal afirmação. Segundo Capelato, os cursos com maior índice de defasagem são Engenharia, Ciências da Computação e Sistemas de Informação, os quais se aprofundam bastante em disciplinas que envolvem Matemática. “Há até faculdades que dão cursos de nivelamento para recuperar a defasagem do ensino básico”, afirmou.

Um terceiro fator, nem tão relacionado a classe C e D, é a própria característica da chamada Geração Y. Há uma dissonância muito grande entre o perfil inquieto e tecnológico dos jovens e o que as faculdades têm oferecido, na sala de aula, que continua a mesma. Isso, segundo Capelato, deixa o estudante desestimulado e leva muitos à desistência.

O quarto fator apontado por Capelato é a desinformação. “O aluno escolhe o curso que fica mais perto ou o que consegue pagar. Mas deixa de analisar o que realmente o curso vai possibilitar à sua vida e descobre que não tem nada a ver com ele”, disse.

O dinheiro pesa

A tese de que a questão financeira é a que mais pesa é baseada no dado da evasão de alunos de instituições públicas, gratuitas, que foi de 13% no período analisado. Para Capelato, a diferença perante os 24% de evasão no Ensino Superior pago mostra que a dificuldade financeira representa pelo menos 10% ou 11% das desistências.

Para o especialista, o nível recorde de evasão não é uma tendência. Pelo contrário, há um grande esforço das instituições para minimizar suas principais causas. “Apenas na questão financeira as instituições privadas não têm muito o que fazer, pois elas vivem da mensalidade”. Segundo ele, a resposta seria a ampliação do financiamento. “No Brasil, apenas 6% dos alunos possuem financiamento estudantil, enquanto a taxa nos Estados Unidos ultrapassa 50%. Não tem como evoluirmos nesse sentido, sem uma participação do governo”, finalizou.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host