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26/05/2010 - 08h59

Que tipo de profissional é você? Pergunta ajuda a lidar com a pressão no trabalho

SÃO PAULO – Encaminhar, desacomodar, capacitar e reter. Os quatro verbos são utilizados pelo consultor organizacional Ricardo Piovan para relacionar os profissionais aos comportamentos que eles têm diante da pressão exercida pelo líder no ambiente de trabalho.

De acordo com o consultor, existem quatro tipos de comportamentos que podem ajudar ou atrapalhar o desenvolvimento da carreira. Segundo Piovan, o comportamento é o principal motivo que gera demissão e não os conhecimentos técnicos ligados à área de atuação do profissional. “O que está impedindo as pessoas de se desenvolverem não é a parte técnica, é o comportamento, talvez a arrogância e a falta de iniciativa”, afirmou.

Tudo isso está ligado a um fator que cada vez mais ganha espaço e se valoriza dentro das empresas: a resiliência. “A resiliência está ligada ao comportamento. É a capacidade humana de passar por pressões, por dificuldades, e, mesmo assim, continuar dando resultados positivos”, explicou Piovan. A resiliência foi o tema discutido pelo consultor em palestra realizada para o ConviRH – Congresso Virtual de Recursos Humanos.

Da Física para o RH

Piovan explicou que a palavra resiliência veio da Física e refere-se à capacidade de um material de acumular energia e, após pressão, voltar ao seu estado normal, sem deformações. Com os profissionais ocorre o mesmo, porém, os que conseguem ser resilientes não voltam totalmente ao estado anterior.

A Psicologia apropriou-se do termo da maneira como o RH (recursos humanos) entende hoje. “O profissional resiliente tem a capacidade humana de absorver a pressão, superar isso e retornar ao seu estado normal, mas com mais conhecimento”, ressaltou o consultor.

Parece simples, mas Piovan explicou que não é fácil atingir altos graus de resiliência no trabalho. Primeiro porque não percebemos totalmente os nossos comportamentos para corrigir o que está errado. “Nós percebemos apenas 10% de nossas atitudes e controlamos apenas isso”, disse.

Não controlamos a maior parte, ou 90%, do modo como agimos e realizamos nossas tarefas, exatamente porque não percebemos. “O problema é que nesses 90% existe muito comportamento limitante”.

Além disso, a resiliência dependerá do perfil do profissional. “Algumas pessoas demoram para superar essa pressão, e, com isso, demoram para dar resultado”, afirmou o consultor. “O resiliente supera rápido a situação e, mesmo nesse tempo curto, ele continua dando resultados positivos”, completou.

Cada profissional, uma ação

Segundo Piovan, existem basicamente quatro tipos de profissionais nas empresas. O que não dá resultados e não busca conhecimento; o que dá resultados, mas não busca aprimoramento; o que dá resultado e se deu conta da importância da busca por aprimoramento; e o que dá resultados e busca frequentemente aprimoramento.

No primeiro caso, o consultor emprega o verbo “encaminhar”. “Encaminhar para fora de empresa. Um profissional com esse perfil não serve para trabalhar em uma empresa que quer desenvolvimento”, disse.

Para profissionais que dão resultados, mas não buscam mais conhecimentos, o consultor emprega o verbo “desacomodar”. “Esse profissional se limita a fazer aquilo que ele conhece. Porém, uma hora, ele para de dar resultados”. Principalmente quando tem de lidar com líderes e colegas que estão uma geração à frente da dele. “Ele precisa ser convidado a sair da zona de conforto”.

Se esse tipo de funcionário se der conta da importância de se aprimorar, então, ele se enquadra em outra categoria, a dos profissionais que dão resultados e começaram a buscar conhecimentos. “Para ele, o verbo é capacitar. Ele acordou. Há uma grande tendência desse profissional conseguir novos resultados”. E migrar para outro patamar, o do profissional que dá resultados e se aprimora constantemente.

Esse é o tipo de profissional que quer novos conhecimentos para melhorar cada vez mais. “Ele busca fazer mais barato, mais rápido e com mais qualidade”, explicou Piovan. Para esse profissional, o verbo é reter. “Eu preciso segurar esse profissional na empresa, porque ele a faz crescer. Esse é o grande talento”.

Quando o assunto é resiliência, entender esses perfis é entender a maneira como o profissional se comportará diante da pressão. Quanto mais perto do verbo “reter”, mais resiliente é o profissional.

De olho nas emoções

É importante você fazer uma autoanálise se quiser lidar bem com as pressões no trabalho. Identificar em qual perfil você se enquadra e alcançar o patamar do profissional que dá resultados e busca constantemente ser melhor requer também saber lidar com os sentimentos que os problemas no ambiente de trabalho costumam gerar.

“A pessoa resiliente sabe que o problema não é o problema, é a atitude que ela tem diante dele”, comentou Piovan. O resiliente tem uma atitude positiva diante do problema, mas, antes disso, ele lida com sentimentos como alegria, tristeza, raiva e medo. “Tanto o resiliente como o não resiliente sentem essas emoções. A diferença é que o não resiliente utiliza os aspectos negativos desses sentimentos”.

Perceber os dois lados de cada sentimento como esses pode ajudar, porque, de modo geral, o lado negativo costuma “travar” o profissional, enquanto que o positivo faz o profissional agir. Piovan explica que o lado negativo do medo é a paralisia. “O positivo é a precaução, que gera ação”.

Já a tristeza faz com que os profissionais se comportem como vítimas. “Há um prazer nesse processo de vitimização, mas paralisa”. O lado bom desse sentimento é a reflexão. Ela pode mostrar em que pontos estamos errando.

“A raiva é um dos sentimentos que mais vemos dentro das corporações”, disse o consultor. O seu lado negativo é a busca por culpados. “ Enquanto você fica procurando culpado, você não age”. Já o lado positivo é semelhante ao da alegria. “A energia que a raiva movimenta faz com que o profissional aja de maneira assertiva”.

Mudando o comportamento

Para o consultor, é possível mudar o comportamento a fim de ser mais resiliente. Para isso, primeiro, é preciso perceber o sentimento que faz esse profissional “travar”. “Busque o lado positivo da situação. Olhe para cada comportamento errado e pergunte-se: o que eu preciso fazer para resolver isso?”.

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