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27/05/2010 - 08h36

Faltam inspirações e exemplos de liderança aos jovens, diz Abílio Diniz

SÃO PAULO – A vida de líder parece ser fácil, mas a realidade é outra. Ter um salário mais elevado, autonomia para tomar decisões e bons contatos no mundo empresarial não são garantias de sucesso. Mesmo assim, é preciso se desenvolver constantemente, uma lacuna que existe no Brasil, na opinião do empresário Abílio Diniz.

“Gosto muito de conversar com os jovens e, dessas conversas, tenho observado que, com o passar dos anos, fica cada vez mais evidente a ausência de inspirações e de exemplos de lideranças. No Brasil, essa carência fica ainda mais latente pela ausência de cursos formais sobre esse tema”, explicou.

Ciente disso, ele elaborou junto com a FGV (Fundação Getulio Vargas) um curso chamado “Despertando e Construindo Talentos em Tempos de Mudança”. O curso é baseado na experiência pessoal e profissional do empresário que, ao lado do pai, fundou o Grupo Pão de Açúcar há mais de 60 anos e, há duas décadas, assumiu a reconstrução da companhia.

“Esse curso era mais uma meta da minha vida”, afirmou Diniz, que trabalhou durante dois anos para lançá-lo. “Não tenho a pretensão de ensinar, mas fazer um convite à reflexão, para que as pessoas pensem nos valores e nas responsabilidades do líder”, completou.

A liderança

De acordo com Diniz, os líderes não são iguais e nem sempre uma pessoa reúne as mesmas condições e características de outra na mesma posição. O que elas têm de fazer, por sua vez, é encontrar o que seria fundamental para seu próprio desenvolvimento.

No caso dele, uma das características buscadas foi a determinação, definida como a capacidade de “investigar a si mesmo para saber se quer realmente chegar a algum lugar”, nas palavras do empresário.

Outro ponto fundamental que tem guiado o empresário é a disciplina. “O líder deve ter a inteligência de organizar sua rotina e saber priorizar aquilo que realmente é importante. Saber dizer 'não' é fundamental para que seja possível cumprir com os compromissos e, assim, se sentir respeitado e respeitar os outros”.

Como líder, Diniz disse que não deixa de lado a objetividade. “Nunca esqueço que a menor distância entre dois pontos é uma reta”. Além disso, ele citou a transparência, para que se possa estabelecer relações de confiança, o inconformismo, para corrigir o que está errado e buscar ser melhor a cada dia, e o controle do estresse.

“A vida de um líder não é fácil. Envolve muito trabalho, muita dedicação e até frustrações. O importante é a pessoa ter garra, determinação, e uma expressão que uso muito é saber onde é o norte, qual rumo a pessoa está seguindo. Procure ser o motorista, o condutor do carro da vida. Não deixe a vida te levar. Pode ser muito cômodo seguir a filosofia de deixar o vento nos levar; o problema é que, por muitas vezes, ele nos leva a lugares que não gostaríamos de ir”, ponderou.

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