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01/06/2010 - 15h59

Vestibular de inverno é boa oportunidade para antecipar o início da carreira

SÃO PAULO – No período de vestibular, muitos estudantes querem antecipar o início da carreira fazendo provas no meio do ano. E a adesão aos exames de inverno tem crescido.

Para se ter uma ideia, somente para o vestibular desse período da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) o número de inscritos cresceu 30%, passando de 7.939 estudantes registrados em 2009 para 9.029 neste ano. Antecipar a entrada na faculdade ou dispensar mais um semestre de pressão e estudos exaustivos não são as únicas justificativas para o aumento da procura pelo exame em junho.

Para o coordenador-geral do cursinho e colégio Etapa de São Paulo, Edmilson Motta, muitas vezes os alunos que fazem a prova no meio do ano querem ingressar na faculdade o mais rápido possível, porque já sabem que curso querem. Além disso, muitos cursos específicos, como alguns da FGV (Fundação Getulio Vargas). Já o Insper, por exemplo, realiza provas no meio e também no fim do ano.

O professor conta que o desejo de ingressar o mais rápido possível também está travestido de uma certeza que muitos estudantes carregam: a de que no meio do ano a prova é mais fácil. Contudo, o professor alerta que não há muitas mudanças: “Não existem grandes diferenças entre as provas do meio do ano e as provas do final do ano”.

Facilitadores e entraves

Apesar da pouca diferença, a lenda de que no meio do ano a prova é mais fácil é difícil de se desfazer. “Não é que a prova é mais fácil é que o número de candidatos por vaga é menor”, esclarece a coordenadora-geral do cursinho da Poli, Alessandra Venturi.

A professora concorda que não existem diferenças entre as provas de meio de ano e as do fim de ano. Por isso, tal percepção pode deixar muitos estudantes frustrados. “Claro que a chance de você ser aprovado no meio de ano é maior, não por causa da facilidade, mas justamente por conta do número de candidatos”, ressalta Motta.

Enquanto a suposta facilidade atrai muitos vestibulandos, o preconceito é entrave para outros tantos. De maneira geral, as instituições estaduais, federais e particulares que realizam provas no meio do ano o fazem para profissões que fogem um pouco das tradicionais, como as de tecnologia ou mesmo cursos novos ligados ao meio ambiente, por exemplo.

Esse fator impede o crescimento do número de inscritos para a prova. Para Alessandra, a falta de oferta de cursos tradicionais é uma questão de logística. “Muitos cursos seguem o calendário anual, o que impossibilita uma prova de meio de ano”, diz.

Já Motta credita à falta de informação um dos impeditivos. Para o professor, o que falta é informação e um tanto de interesse por parte dos vestibulandos. “O aluno tem muitas oportunidades e, muitas vezes, você encontra cursos excelentes em instituições excelentes”, considera. Alessandra também não enxerga desvantagens nas provas realizadas no meio de ano. “O aluno tem de buscar as possibilidades e essa é uma delas”, afirma.

Rotina alterada

Se o número de inscritos muda, a rotina de estudos de quem vai prestar vestibular agora e daquele que vai fazer o exame no final do ano muda e muito.

“É importante que o aluno saiba exatamente o que sabe e o que não sabe, o que o levou a errar em vestibulares anteriores”, afirma Alessandra. Focar na leitura de jornais e escrever uma redação atrás da outra também ajudam quem vai fazer a prova de inverno.

Outra dica importante da professora é não deixar de fazer as provas anteriores da faculdade que quer ingressar. “De preferência, o aluno deve tentar fazer a prova sozinho e no tempo que será exigido”, afirma. “Não adianta ele saber de tudo se não tiver tempo para resolver as questões”.

Para Motta, os candidatos aos vestibulares de inverno devem cuidar de questões mais gerais, sempre de olho no que a faculdade tradicionalmente já deu em provas anteriores.

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