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04/08/2010 - 15h59

Empresas querem profissionais telentosos. Você é um deles?

SÃO PAULO – Estão faltando talentos no mercado de trabalho? Na avaliação do professor de gestão de Tecnologia do IMD Business School, Bill Fisher, não. O que ocorre é que as empresas não exploram os talentos que têm e acabam até não permitindo que eles sejam desenvolvidos. Essa dificuldade pode estar na própria definição de talento. Como saber se um profissional é talentoso?

“Quem é talentoso para mim, não necessariamente é talentoso para você”, afirma o sócio da ARC Recruiting, Francisco Ramirez. Para ele, a definição de talento é intangível e subjetiva. “O que posso afirmar é que não faltam talentos no mercado de trabalho. Trata-se de buscar os melhores dentre os melhores”, diz.

Para a gerente regional do Grupo Foco de Campinas, Fabíola Lencaster, de fato não é fácil definir essa qualidade. Contudo, ela acredita que um profissional de talento reúne uma série de características e competências que permitem que ele se desenvolva e amadureça ao longo da carreira.

Ela cita como características automotivação, espírito de equipe, autogerenciamento, capacidade de trabalhar mesmo pressionado, visão macro, capacidade e vontade de aprender e iniciativa. “O mais importante é que esse profissional aceite e busque feedback, goste de projetos com alto grau de desafio e tenha valores éticos fortes e alinhados”, afirma.

Ramairez concorda e resume: "talentoso é aquele profissional que reúne atributos que sejam bons para determinada empresa. Aquele que é sob medida, que detém um conjunto de características que envolvem técnica, relacionamento e comportamento", explica. Já a consultora do Grupo DMRH Juliana Nascimento não acredita que o adjetivo pode ser aplicado ao mercado de trabalho. “O que existem são profissionais com potencialidades. Não chamaria de talentos”, ressalta. “E potencial nunca falta no mercado”, avisa. 

Talentos escondidos

A sensação de que faltam profissionais talentosos no mercado advém de diversos fatores. Um deles é conjuntural. Para Bill Fischer, com o aquecimento da economia, a busca por profissionais de diversos tipos aumenta. Mas não é só isso. “O que acontece também é que as empresas estão cada vez mais exigentes com relação à formação e aos traços comportamentais dos profissionais”, explica Fabíola.

Para Fischer, as empresas têm boa parcela de culpa nesse suposto “apagão de talentos”. “De fato, eu diria que o Brasil dispõe dos talentos de que necessita, pelo menos no curto e médio prazo, para empreender um verdadeiro avanço em sua economia e em seu desempenho social”, disse, por meio de nota. “Mas as instituições brasileiras não percebem completamente o valor do talento que elas empregam”, disse.

Para ele, as empresas brasileiras não utilizam como deveriam os talentos que têm. “A maioria das sociedades poderia gerar grandes mudanças em sua performance econômica, de forma rápida, se confiasse suficientemente em seus empregados, a ponto de fazê-los parceiros plenos no processo de mudança”, reforçou o professor.

Para Ramirez, a cultura de algumas empresas, de buscar profissionais no mercado somente quando precisa deles, também prejudica a descoberta desses talentos escondidos dentro das próprias empresas. "Muitas vezes, essas empresas não buscam o desenvolvimento interno dos seus profissionais", disse.

Desenvolvendo talentos

Se o conceito de talento é intangível, a identificação de um profissional talentoso não é. Contudo, para Ramirez, basta dar espaço para que ele se desenvolva. Para ele, o próprio ambiente de trabalho propicia essa evolução. “Ainda que a gente não perceba, existe dentro da empresa um processo de formação”, diz. “Talento não é algo espontâneo e as empresas devem propiciar um ambiente para o desenvolvimento dos profissionais, pois um ambiente favorável permite que eles se exercitem”, ressalta.

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