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23/08/2010 - 13h53

Efeito pós-jogos: como ficará o mercado de trabalho em turismo após 2016?

SÃO PAULO – Cerca de 7,2 milhões de brasileiros trabalham com turismo no País, segundo dados do Ministério do Turismo. E a realização da Copa do Mundo e da Olimpíada deve fazer esse número crescer. Somente até 2014 espera-se um aumento de 10% nesse contingente. Incentivos por parte do governo e da iniciativa privada para qualificar os profissionais dessa área para os grandes eventos não faltam. Mas o que deve acontecer com esse mercado de trabalho depois de 2016?


“Da forma como estamos crescendo, a tendência é que continue em expansão”, acredita o coordenador-geral de Qualificação e Certificação do Ministério do Turismo, Luciano Paixão. “A partir do momento em que mostramos um Brasil diferente para o mundo, o mundo nos olha com interesse em nos conhecer mais e isso só traz benefícios para esse mercado”, explica.


Segundo Paixão, o setor de turismo em termos de empregabilidade cresce de 8% a 10% ao ano. E essa trajetória não deve mudar depois que o mundo passar por aqui. O crescimento pré-jogos é pouco contestado, mas mantê-lo para além da Olimpíada exigirá muito mais do que é feito hoje, na avaliação do presidente da Ricardo Xavier Recursos Humanos, Hélio Terra. “O que realmente acontece nesse mercado é que ele ainda é muito amador”, afirma.


O mesmo pensa o presidente da Abptur (Associação Brasileira dos Profissionais em Turismo), Miguel Ribeiro Gomide. “O mercado de trabalho no Brasil em turismo é sazonal”, explica. Segundo ele, as colocações geralmente são temporárias e surgem de acordo com os eventos. O “amadorismo” também se reflete nas colocações. “É muito comum desvio de função. Turismólogo empregado como recepcionista, Guia de Turismo em função de taxista, Concierge como gerente de hotel”.


Para a diretora da Escola de Turismo e Hospitalidade da Universidade Anhembi Morumbi, Thais Funcia, o setor, assim como o mercado de trabalho em turismo, ainda está se solidificando no País. “O que vemos hoje é uma consolidação do turismo e a infraestrutura que deve se instalar por conta dos jogos possibilitará a ampliação de oportunidades”, acredita.


Qualificação

Espaço para crescer, o setor de turismo tem de sobra. Hoje, ele responde por 2,6% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Com o aumento do número de brasileiros com renda para viajar e com a estabilidade econômica, o ministério estima que alcance os 4% até 2014. “Os eventos devem aumentar sim as oportunidades para o setor, mas não adianta crescer de maneira desordenada”, afirma Paixão.


Por isso, o governo criou o programa Bem Receber para qualificar profissionais do setor. Até 2013, 306 mil terão sido qualificados. E iniciativas como essa, de acordo com Paixão, trazem resultados imediatos que se refletem no mercado durante muito tempo. “Todo processo de qualificação é de curto prazo e tem todo um ganho de cadeia: ganha o profissional, que estará mais qualificado, ganha a empresa, que terá um serviço diferenciado, e ganha o destino, que saberá receber os seus turistas”, explica.


A qualificação pré-evento tanto por parte do governo como por parte das próprias empresas é vista com bons olhos, já que a falta de mão-de-obra qualificada nesse setor é o principal problema. Por isso, para os especialistas consultados, não bastam investimentos em qualificação pré-eventos, é preciso continuar investindo na formação desses profissionais mesmo depois de 2016.


“Falta formação em todos os aspectos. As escolas existentes são insuficientes em quantidade e qualidade”, acredita Terra. “Se fizermos a lição de casa, o turismo e o mercado de trabalho só tendem a crescer”, avalia. Contudo, esperar pelas ações públicas ou privadas não vai garantir a vaga de nenhum profissional. Quem quiser um espaço debaixo desse guarda-chuva deve começar desde já a se preparar.


Garantindo a vaga depois de 2016

De acordo com dados do banco de empregos da Catho Online, quase duas mil vagas estavam disponíveis na área de hotelaria e turismo até o último dia 20. A procura é maior por agentes de viagem, guias de turismo e coordenadores de eventos, cujas médias salariais são de R$ 1.040, R$ 1.485 e R$ 3.898, respectivamente. Daqui para frente, a tendência é que aumente a oferta. Para garantir uma dessas vagas, porém, é preciso ter em mente algumas lições.


“O profissional precisa ter essa ciência de que turismo é uma prestação de serviços”, explica Thais, da Anhembi Morumbi. “É uma área que demanda flexibilidade e dedicação do profissional”, completa. Para se dar bem nessa área, é também preciso saber lidar com pessoas e entender culturas, na avaliação da professora.


“Ter uma formação em uma escola de primeira linha é fundamental”, explica Terra, da Ricardo Xavier. Para ele, saber de três a quatro idiomas de maneira fluente também é imprescindível. Especializar-se em determinada área do setor também é diferencial, como por exemplo em atendimento e administração ou gestão hoteleira.


Quando o mercado dessa área estiver em ordem, aí sim será possível vislumbrar um cenário vitorioso após 2016.

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