! Alta do preço dos combustíveis gera crise no Iraque - 19/12/2005 - AFP - Economia
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19/12/2005 - 15h43

Alta do preço dos combustíveis gera crise no Iraque

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Por Kamal Taha=(FOTOS)= BAGDÁ, 19 dez (AFP) - O ministro iraquiano do Petróleo provocou nesta segunda-feira uma crise política, ao ameaçar pedir demissão se o governo não desistir de aumentar o preço dos combustíveis, o que gerou manifestações em várias partes do país.

"Peço ao governo que não aplique essa decisão. Não se deve castigar os iraquianos, que arriscaram a vida para votar, subindo os preços. Se o governo não desistir da medida, pedirei demissão", ameaçou o ministro Ibrahim Bahr al-Ulum.

O Executivo anunciou neste domingo uma alta antecipada, com efeito imediato, do preço dos combustíveis, que somente deveria acontecer em 1º de janeiro de 2006. O preço da gasolina no Iraque, que continua entre os mais baixos do mundo, é subsidiado pelo Estado. Mas o país enfrenta uma penúria desde a queda do regime de Saddam Hussein, em 2003, apesar de ser membro da Opep e um importante produtor e exportador de cru.

Milhares de iraquianos manifestaram-se em diferentes cidades, para protestar contra o aumento. No centro de Nasiriya, no sul xiita, houve confrontos com a polícia. Três mil pessoas lançaram pedras nos policiais. Outras manifestações aconteceram em Amara, Basra, Baaquba e Tikrit.

Autoridades de Zi Qar, que tem Nasiriya como capital, decidiram anular a medida e determinaram que os postos apliquem os preços antigos. A decisão foi anunciada em alto-falantes.

Em Amara, mais ao norte, centenas de habitantes fizeram uma passeata de protesto e gritaram palavras de ordem contra o governo de Ibrahim Jaafari, integrante de um bloco em que, no entanto, votaram em massa nas eleições legislativas da última quinta-feira. Os manifestantes atacaram a pedradas uma patrulha de soldados britânicos.

Em Basra, capital meridional do país, a 550km de Bagdá, dezenas de manifestantes queimaram pneus e entoaram cantos e palavras de ordem contra o governo. Dispersaram-se duas horas depois, após receberem a promessa de autoridades locais de que suas queixas seriam levadas ao Executivo de Bagdá.

Na cidade de Baaquba, capital da província de Diyala, manifestantes concentraram-se em frente a um posto de gasolina e se dispersaram depois, sem incidentes, a pedido da polícia. Já em Tikrit, a 180km de Bagdá, vários agricultores participaram das manifestações. Eles entregaram a autoridades locais um requerimento em que classificam a alta dos preços do combustível de "duro golpe para a agricultura".

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