! Diretor do Banco da Itália renuncia por causa de escândalo financeiro - 19/12/2005 - AFP - Economia
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19/12/2005 - 16h11

Diretor do Banco da Itália renuncia por causa de escândalo financeiro

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Por Kelly VelásquezROMA, 19 Dez (AFP) - O diretor do Banco da Itália, Antonio Fazio, renunciou ao cargo nesta segunda-feira após 12 anos no poder, depois de ter seu nome envolvido num escândalo financeiro sem precedentes na história da instituição.

A renúncia foi anunciada ao decano do Conselho Superior do Banco, Paolo Emilio Ferrari, segundo comunicado do Banco da Itália.

"A decisão foi tomada de forma autônoma e com a consciência tranqüila, com a finalidade de levar serenidade ao país e ao Banco da Itália", diz a nota. Fazio, de 69 anos, está sendo investigado pela Justiça de Milão (norte) e de Roma (centro) por ter dado informações confidenciais a um grupo de banqueiros para sabotar a entrada de capitais estrangeiros no setor bancário.

As acusações judiciais e as denúncias da imprensa contra Fazio não apenas afetaram gravemente a imagem da entidade bancária, mas também obrigaram União Européia a abrir um procedimento de infração contra a Itália com base nas decisões controvertidas do diretor.

Fazio, designado diretor em 1993 após as investigações judiciais chamadas 'Mãos Limpas", que no início dos 90 revelaram a conivência ilícita entre finanças e política, optou por apresentar seu pedido de renúncia ao ter perdido o apoio do Executivo de centro-direita, e de todos os partidos políticos, tanto de direita como de esquerda, assim como das instituições européias.

O polêmico diretor está desde julho no olho do furacão ao ser acusado de abuso de poder e tráfico de influência.

Sua renúncia põe fim à crise institucional que vivia o país, e o governo poderá adotar uma reforma na entidade, considerada uma das mais sérias e prestigiadas da Itália. "O diretor Fazio esteve a serviço do Banco da Itália por mais de 45 anos, desde 1960", ressalta o comunicado, que traça um longo balanço dos feitos e êxitos do dirigente em tantos anos de carreira. O governo italiano, que havia convocado para esta terça-feira um conselho extraordinário de ministros para preparar a expulsão de Fazio, deseja obter o apoio do Banco Central Europeu para aplicar uma reforma em seu banco emissor de moeda.

A reforma prevê a designação, por parte do governo, do diretor do banco por um período de cinco anos com a aprovação da maioria do Parlamento.

Atualmente, tanto a nomeação quanto a revogação do diretor são decididas pelo Conselho Superior do Banco da Itália, uma instância interna composta de 13 integrantes e presidida pelo próprio presidente da entidade.

A gestão pouco clara de Fazio e a aliança com o banqueiro Gianpiero Fiorani, detido na semana passada junto com outros diretores do Banco por malversação, manipulação bursátil e associação criminosa, terminaram por provocar sua saída.

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