! Wall Street fecha o ano esperando se recuperar em 2006 - 23/12/2005 - AFP - Economia
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23/12/2005 - 18h24

Wall Street fecha o ano esperando se recuperar em 2006

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Por Antoine Agasse NOVA YORK, EUA, 23 dez (AFP) - Os corretores de Wall Street vão encerrar sem champanhe um ano discreto para o mercado, afetado pela alta dos preços do petróleo, o aumento contínuo das taxas de juros e os estragos causados pelos furacões na região petroleira do sudeste.

O índice Dow Jones fechou nesta quinta-feira em alta de 0,98% desde o começo do ano, contra um crescimento de 3,27% do índice composto Nasdaq. Já o índice Standard and Poor's (SP 500), mais representativo da tendência geral, fechou o ano com ganho de 4,2%.

"A performance do mercado foi medíocre", avalia Marc Pado, analista da Cantor Fitzgerald, lembrando que em 2003 "o SP 500 subiu mais de 25%". A comparação com outros mercados mundiais é ainda mais impressionante. Na Europa, o índice DJ EuroStoxx 50 aumentou cerca de 22% em 2005, enquanto o japonês Nikkei subiu mais de 38%.

"Não foi um grande ano", diz Michael Malone, da corretora SG Cowen. "Mas se for levado em conta o aumento significativo dos preços da energia e a alta das taxas de juros, dois fatores que exercem pressão sobre o consumidor, pode-se dizer que o mercado se comportou bem", acrescenta.

Os preços do petróleo subiram de uma média de 41 dólares o barril em 2004 para mais de 56 dólares em 2005, segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos. Mas esse aumento também contribuiu para a expansão do mercado, permitindo às petroleiras lucros elevadíssimos (cerca de 10 bilhões de dólares para a ExxonMobil no terceiro trimestre, um recorde histórico), o que levou a uma disparada do valor de suas ações.

Segundo a agência Standard and Poor's, o setor energético foi ainda o que experimentou o maior aumento do índice SP 500, que teve uma valorização de mais de 30% no ano.

Nordine Naam, do banco Ixis, cita outras razões para a performance ruim do mercado americano em 2005. Diz, por exemplo, que o encarecimento do dólar tornou as ações americanas menos atraentes para os investidores estrangeiros. E também que o mercado americano esteve supervalorizado em relação a outros mercados de ações, que, por esse motivo, beneficiaram-se de um efeito de recuperação.

Para Naam, a Bolsa de Nova York irá se recuperar em 2006. "As valorizações são quase idênticas na Europa e nos Estados Unidos, e as ações americanas subirão a curto prazo", assinala. "Há poucas chances de o dólar continuar subindo em 2006, e o Fed chega ao fim de seu ciclo de aumento das taxas, o que é positivo", acrescenta.

A mesma impressão tem Gina Martin, economista da Wachovia, que está "relativamente otimista para 2006". Segundo a analista, as perspectivas de investimento das empresas são um estímulo para o mercado, um otimismo que não é compartilhado por Paul Nolte, analista da Hindsale Associates. Ele cita o alto valor das ações americanas: "Sua valorização está além de qualquer tendência histórica", afirma, estimando que o mercado poderá perder até 10% em 2006.

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