! IIF: fluxo de capital para América Latina cairá pela metade em 2009 - 27/01/2009 - AFP - Economia
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27/01/2009 - 20h31

IIF: fluxo de capital para América Latina cairá pela metade em 2009

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WASHINGTON, 27 Jan 2009 (AFP) - O fluxo de capitais para a América Latina cairá pela metade em 2009, situando-se em 43 bilhões de dólares por causa da crise, que atingirá de modo especialmente severo o leste europeu, segundo um relatório do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), divulgado nesta terça-feira.

"As perspectivas de fluxos de capital privado para as economias emergentes sofreu uma deterioração significativa nos últimos meses. O fluxo líquido previsto agora é de apenas 165 bilhões em 2009, menos da metade dos 466 bilhões registrados em 2008", destacam os especialistas do IIF, no informe publicado às vésperas do Fórum Econômico Mundial de Davos.

Desse montante, a América Latina ficará com 43 bilhões de dólares, contra 89 bilhões em 2008 (estimativas). Numa comparação ainda mais contrastante, o total de investimentos no subcontinente em 2007 foi de 184 bilhões de dólares.

O crédito secou brutalmente a partir da segunda metade de 2008, alertou em uma entrevista coletiva o diretor do IIF, Charles Dallara.

Os bancos só emprestarão aos países emergentes "em torno de 61 bilhões de dólares este ano, contra 167 bilhões no ano passado", indicou.

Pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, a crise afetará da mesma maneira todas as regiões do globo.

"A palavra chave é coordenação", explicou William Rhodes, vice-presidente do IIF e presidente do gigante americano Citibank.

"Os recursos do FMI (Fundo Monetário Internacional) devem ser ampliados", sugeriu o banqueiro, cuja entidade faz parte do gigante Citigroup, que recebeu 45 bilhões de dólares do governo dos Estados Unidos - e que, no entanto, não está a salvo da crise.

"A reunião do G20 (grupo de países industrializados e emergentes) em abril em Londres será particularmente importante", acrescentou.

Na segunda-feira, o diretor gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, lamentou o fato de "muito pouco" ter sido feito contra a crise desde a reunião do G20 em novembro, em Washington, que prometeu medidas profundas e coordenadas - na medida do possível, sim, mas a curto prazo.

O fluxo de capital bancário (principalmente a compra de bônus de Estado) nos países emergentes será da ordem de 31 bilhões de dólares, uma queda de praticamente 70% em relação ao ano anterior.

Entretanto, países como Argentina, Equador e Venezuela "não têm neste momento acesso aos mercados internacionais" por terem declarado moratória de suas dívidas externas, indica o relatótio do IIF.

Os países do leste europeu, por sua vez, devem sofrer o pior impacto, "principalmente os que mantêm programas (de empréstimo) com o FME, e que deverão aplicar políticas de contração, ao invés de expansão".

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