! O estado de saúde dos bancos na contramão dos discursos de Obama - 25/02/2009 - AFP - Economia
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25/02/2009 - 18h31

O estado de saúde dos bancos na contramão dos discursos de Obama

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PARIS, França, 25 Fev 2009 (AFP) - Animados durante algum tempo pelos discursos anticrise de Barack Obama e os propósitos do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, excluindo toda a possibilidade de nacionalização dos bancos, os mercados voltaram a recuar nesta quarta-feira, ainda preocupados com a saúde do sistema bancário.

Depois de ganhar 3,32% na terça-feira, Wall Street fechou em queda, ao final de um pregão marcado pela volatilidade e dominado pelos temores no setor financeiro: o Dow Jones perdeu 1,09% e o Nasdaq, 1,14%. Na esteira do mercado americano, os europeus também cederam. Em Paris, queda de 0,41%, em Frankfurt, baixa de 1,27%. Somente em Londres, houve leve alta de 0,85%.

Os mercados europeus haviam reagido positivamente no início da sessão aos propósitos da noite de terça-feira de Ben Bernanke de uma perspectiva moderada de a recessão acabar em 2009" e de não nacionalização pura e simples dos bancos.

O ministro britânico das Finanças, Alistair Darling, falou no mesmo tom, julgando no Financial Times "que seria contraproducente proceder a nacionalizações a 100%". Ele indicou que o governo faria anúncios nos próximos dias sobre seu plano de garantia dos ativos tóxicos.

Mas, de fato, nada mudou verdadeiramente para o setor financeiro, disse Patrick O'Hare, do site de análise Briefing.com. "Ele está afundado nos ativos tóxicos e a falta de um plano concreto e crível para retirar estes ativos das contas", acrescentou.

A seguradora americana AIG, novamente esgotada financeiramente, está sendo forçada a ceder seus ativos mais preciosos, informou o New York Times, citando a filial de seguro de vida Alico, pela qual o concorrente MetLife propôs 11 bilhões de dólares.

Além disso, não há sinal de melhora para a economia americana. Em seu primeiro discurso solene ao Congresso na noite de terça-feira, Barack Obama reconheceu que salvar os bancos americanos poderia ser mais caro que o previsto.

Ele então se comprometeu a cuidar para que os bancos tenham dinheiro fresco o bastante para emprestar aos consumidores e às pequenas empresas.

Ele também insistiu sobre o fato de o país não poder abandonar os construtores de automóveis em dificuldades e se comprometeu a construir uma indústria automobilística sobre novas bases e que possa entrar na competição e ganhar.

Finalmente, anunciou sua intenção de reduzir para a metade o déficit americano daqui a 2013.

Na Europa, as perspectivas não são mais animadoras: o PIB britânico recuou 1,5% no quarto trimestre de 2008 e sua contração no terceiro trimestre foi revisada para menos 0,7%, em vez de menos 0,6%.

O PIB alemão recuou 2,1% no quarto trimestre em relação ao terceiro.

Na Itália, o ministro da Economia, Giulio Tremonti, assinou o decreto de aplicação de uma medida de apoio aos bancos que vai lhes permitir beneficiar de fundos públicos em troca do aumento dos empréstimos às empresas. No total, o Tesouro italiano pode injetar fundos no valor de 12 bilhões de euros.

Já a situação financeira de vários países da Europa do Leste continua muito tensa.

A Standard and Poor's reduziu as notas da Ucrânia em razão dos riscos que pesam sobre a adoção do programa de apoio prometido pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).

"A gravidade da crise econômica na Europa do Leste ameaça quase duas décadas de reformas econômicas", advertiram por sua vez o Banco Europeu para a reconstrução e o desenvolvimento (Berd), que amargou uma perda líquida em 2008, sua primeira em dez anos.

Apesar desta perda, o Berd, que intervém em cerca de 30 países, confirmou sua vontade de aumentar seus investimentos em 20% este ano, para conceder-lhes em torno de 7 bilhões de euros.

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