UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

04/03/2009 - 20h40

Mercado não crê em mediação da Venezuela e petróleo dá novo salto

NOVA YORK, 4 Mar 2011 (AFP) -Os preços do petróleo deram outro salto nesta sexta-feira em Londres e Nova York, com o mercado minimizando as expectativas sobre uma mediação da Venezuela na Líbia, onde ocorrem violentos confrontos entre rebeldes e tropas leais ao coronel Muamar Kadhafi.

No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de West Texas Intermediate (designação do "light sweet crude" negociado nos EUA) para entrega em abril fechou em 104,42 dólares, em alta de 2,51 dólares em relação à quinta-feira.

Os preços do WTI dispararam cerca de 18 dólares (mais de 21%) nas duas últimas semanas e alcançaram durante a sessão 104,60 dólares, seu nível mais alto desde 29 de setembro de 2008.

No Intercontinental Exchange de Londres, o barril de Brent do mar do Norte com igual vencimento ganhou 1,18 dólar no fechamento, alcançando 115,97 dólares, embora abaixo de seu teto do final de fevereiro.

"Chegarão novos investidores ao mercado, isto pode levar os preços a 110 dólares e inclusive a 115 (em Nova York) em função dos acontecimentos no Oriente Médio", comentou Rich Ilczyszyn, da Lind-Waldock.

"Não acredito que seja realmente um problema de oferta e demanda, as operações são dirigidas pela emoção", acrescentou. "Com o fim de semana que chega, ninguém quer estar posicionado em baixa. Não se sabe o que vai acontecer. O risco é muito grande".

Outro fator positivo para as cotações foi que nos Estados Unidos, maior consumidor mundial de petróleo, a taxa de desemprego caiu abaixo da barreira dos 9% pela primeira vez desde abril de 2009, graças às contratações no setor privado.

As cotações do petróleo chegaram a frear a alta na quinta-feira, após alcançarem seus maiores níveis desde setembro de 2008, depois do anúncio de uma conversa entre o presidente venezuelano Hugo CHávez e o coronel Kadhafi sobre o envio de uma missão de paz à Líbia.

Mas, nesta sexta-feira, "a crise líbia continua pesando em mercados muito voláteis", apontaram os analistas da JBC Energy, segundo os quais a queda dos preços de quinta-feira "refletiu a realização dos lucros mais do que outra coisa", como a proposta venezuelana.

"Inclusive se a oferta venezuelana de mediação ajudou a fazer baixar as cotações na quinta-feira, era difícil crer que realmente pudesse contribuir com uma solução", ironizaram os especialistas do banco SEB.

A Liga Árabe afirmou que estudava a oferta, mas a oposição líbia a rejeitou categoricamente.

Inclusive um dos filhos de Kadhafi, Saif al-Islam, negou a possibilidade de uma mediação internacional proposta por Chávez.

"Respeitamos os venezuelanos, são nossos amigos, mas estão muito longe e não sabem como é a Líbia. Somos capazes de resolver nossos próprios problemas", disse. "Seria como (se um líbio) fosse negociar um acordo no Amazonas", acrescentou.

Enquanto prosseguem os combates na Líbia, a produção de petróleo deste país foi reduzida à medade, a cerca de 800 mil barris diários, segundo a companhia governamental NOC (Libyan National Oil Corporation).

Os especialistas do setor destacam, no entanto, a aparente vontade de ambos os grupos de preservar as infraestruturas da indústria de petróleo.

A Líbia, membro da organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) exporta normalmente 1,49 milhão de barris diários, a maior parte (85%) para a Europa, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

Olivier Jakob, da Petromatriz, considera, por sua vez, que é preciso acompanhar prioritariamente a situação na Arábia Saudita, onde há chamados na internet para manifestações, e onde eventuais distúrbios teriam um enorme impacto no mercado.

A Arábia Saudita, líder da OPEP, é o maior produtor e exportador de petróleo do mundo. Produz cerca de 8,4 milhões de barris por dia, mas pode, segundo suas autoridades, fornecer ao mercado outros 4 milhões de barris adicionais por dia.
Hospedagem: UOL Host