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04/03/2009 - 11h41

Grécia não descarta pedido de ajuda ao FMI e crescem os protestos no país

A Grécia lançou nesta quinta-feira uma emissão de obrigações a dez anos para tentar pagar suas dívidas e não descarta recorrer ao FMI se necessário, em meio a novos protestos nas ruas contra o novo ajuste anunciado para enfrentar a crise das finanças públicas.

Os grandes sindicatos GSEE (privado) e ADEVI (público) convocaram a população à manifestação na sexta-feira ao meio-dia em Atenas, em repúdio ao plano aprovado na quarta-feira, sob pressão da União Europeia (UE), pelo governo socialista do primeiro-ministro Giorgos Papandreou.

Durante o dia foram se acumulando as adesões à paralisação. O tráfego nos aeroportos gregos ficará paralisado das 10H00 às 14H00 GMT (07H00 às 11H00 de Brasília), os transportes terrestres serão comprometidos e as escolas fecharão.

Nesta quinta-feira 300 integrantes comunistas da Frente de Luta Sindical (PAME) ocuparam o ministério das Finanças em Atenas.

O novo pacote, que permitirá economizar 4,8 bilhões de euros (6,5 bilhões de dólares), foi comemorado imediatamente pela Comissão Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Nesta quinta-feira, também foi elogiado pelo Banco Central Europeu (BCE).

O plano inclui uma alta de 2% do Imposto sobre oe Valor Agregado (IVA), aumento nos impostos sobre o tabaco, o álcool, os combustíveis e os produtos de luxo, e fortes cortes salariais no setor público.

Além de um déficit de 12,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, que deve cair a 8,7% neste ano, a Grécia, um país membro da UE e da zona do euro, tem uma enorme dívida pública, de cerca de 300 bilhões de euros, que equivalem a 113% de seu PIB, e precisa refinanciar o valor e pagar suas contas.

Devido a isso, o governo lançou nesta quinta-feira obrigações a dez anos para conseguir 5 dos 20 bilhões que precisa até o próximo mês de maio para pagar vencimentos da dívida e evitar a cessação de pagamentos.

A taxa de interesse oferecida seria de cerca de 6,4%. Quando a Grécia lançou sua última emissão de bônus, no fim de janeiro, propôs uma taxa de juros mais alta, de 6,5%.

Enquanto aguarda a reação dos mercados e dos outros membros da Eurozona, o porta-voz do governo, Giorgos Petalotis, anunciou nesta quinta-feira que "ninguém pode descartar um recurso da Grécia ao FMI" para enfrentar a crise financeira.

Em meio a especulações sobre uma possível ajuda europeia à Grécia, o primeiro-ministro Papandreou será recebido na sexta-feira em Berlim pela chanceler alemã Angela Merkel, e no domingo, em Paris, pelo presidente francês Nicolas Sarkozy.

Segundo o ministro alemão das Finanças, Rainer Bruderle, Merkel dirá "muito claramente" a Papandreou que a Grécia deve se ocupar apenas de seus problemas orçamentários.

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