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09/03/2009 - 15h23

Laboratório Merck absorve Schering-Plough por 41 bilhões de dólares

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NOVA YORK, EUA, 9 Mar 2009 (AFP) - O gigante farmacêutico americano Merck, que enfrenta a invasão dos medicamentos genéricos e a expiração próxima de várias de suas patentes, adquirirá seu rival e sócio Schering-Plough por 41 bilhões de dólares.

As duas empresas revelaram nesta segunda-feira um acordo de fusão, que prevê a criação de um novo grupo com acionistas atuais do Merck (68%) e do Schering-Plough (32%), segundo um comunicado publicado nesta segunda-feira.

A operação, que deve ser concluída no quarto trimestre do ano, criará um peso pesado mundial da indústria farmacêutica "tradicional", que representa 47 bilhões de dólares em volume de negócios.

O futuro grupo, que manterá apenas o nome Merck, tem a ambição de "gerar um crescimento duradouro", explicou seu presidente executivo, Richard Clark.

"A empresa aproveitará perspectivas de pesquisa e desenvolvimento formidáveis, uma carteira de medicamentos consideravelmente ampliada e uma presença mais abrangente nos principais mercados internacionais, principalmente nos mercados emergentes em forte crescimento", afirmou Clark, que dirigirá o futuro Merck.

A compra acontece um mês depois do anúncio de aquisição da Wyeth pela Pfizer, dois laboratórios americanos, por 68 bilhões de dólares.

A operação permitirá à Pfizer conservar seu posto de número um do mundo, aumentando sua renda anual para 75 bilhões de dólares.

As duas aquisições fazem parte de um forte momento de consolidação do setor, numa época em que os medicamentos mais vendidos dos grandes laboratórios vão entrando pouco a pouco na lista do domínio público, devido à expiração de suas patentes.

Por não ter em suas carteiras moléculas tão promissoras, os grandes do setor se lançaram ao campo da biotecnologia, um segmento mais complexo do mercado, e na aquisição de fabricantes de medicamentos genéricos, com produção conjunta do francês Sanofi-Aventis e do tcheco Zentiva, da Pfizer com o indiano Aurobindo, além do Merck com o americano Insmed.

O acordo Merck-Schering e seus detalhes financeiros foram julgados positivos pelo mercado e por observadores do setor.

"O Merck fez uma linda jogada para consolidar seu lugar entre os cinco principais farmacêuticos", destacou o pesquisador Eben Tessari no blog Pharma Babble, afirmando que o Schering-Plough "tem uma grande carteira de produtos em desenvolvimento".

A Schering-Plough conta com 75 novas moléculas em desenvolvimento em sua carteira, 12 delas em fase de testes clínicos. O grupo duplicou seu volume de negócios entre 2004 e 2008, a quase 21 bilhões de dólares, com cinco medicamentos superando 1 bilhão de dólares em vendas anuais.

A Merck passa por sua segunda reestruturação desde 2005: em 2004, sofreu quando seu principal anti-inflamatório, o Vioxx, foi retirado do mercado por causa de seus efeitos colaterais nocivos. Desde então, viu a expiração de algumas patentes fundamentais de sua carteira e uma preocupante queda nas vendas de tratamentos cruciais como o Fosomax (osteoporose) e o Singulair (asma).

O acordo anunciado nesta segunda-feira é "uma questão de redução de gastos", resumiu Douglas McIntyre, analista do site 247WallStreet, lembrando que os grupos pretendem economizar 3,5 bilhões de dólares por ano.

A ação da Schering-Plough subiu nesta segunda-feira em Wall Street, com +14,41 a 20,17 dólares até as 16H00 GMT, enquanto a da Merck perdia 9,19%, negociada a 20,65 dólares.

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