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11/03/2009 - 10h10

China: exportações caem, mas investimento interno cresce

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PEQUIM, China, 11 Mar 2009 (AFP) - O comércio exterior chinês sofreu nova desaceleração em fevereiro, mas os investimentos aumentaram, dando sinais de um possível redirecionamento da economia do gigante asiático.

Com uma queda de 25,7% ao ano, as exportações registraram em fevereiro seu quarto mês consecutivo de baixa, que se intensificou de novembro até aqui. As importações encolheram 24,1%.

O resultado se manteve positivo para a balança comercial chinesa, com 4,84 bilhões de dólares.

Mas este superávit está longe dos 39,11 bilhões de dólares registrados em janeiro ou até dos 8,56 bilhões de fevereiro de 2008, um mês que havia no entanto sofrido perturbações na produção e no comércio por severas intempéries e pelo Ano Novo chinês.

A queda das exportações "é pior que previsto", destacou Robert Subbaraman, do grupo japonês de serviços financeiros Nomura, em Hong Kong.

Segundo ele, o mercado esperava uma alta de 1% "porque as férias do Ano Novo chinês foram em janeiro este ano, em vez de fevereiro como no ano passado, aumentando o número de dias trabalhados em fevereiro de 2009 em relação a fevereiro de 2008".

As novas estatísticas confirmam o sério desaquecimento de um setor vital para a terceira economia mundial, causado pela escassez da demanda dos países terceiros atingidos pela crise financeira internacional.

E isso, apesar de medidas em favor dos exportadores, como o aumento dos reembolsos da TVA para toda uma série de produtos voltados para exportação.

Diante deste fenômeno, que deve durar enquanto as economias importadoras de produtos chineses continuarem abaladas pela crise, o governo que incentivar a atividade aumentando os gastos e o consumo internos.

Ao flexibilizar suas políticas monetárias, ele também anunciou em novembro um vasto plano de retomada de 4 trilhões de yuans (455 bilhões de euros) em dois anos, por medidas fiscais e de investimento em infraestrutura.

Aparentemente estimulados por estas medidas, os investimentos em capital fixo (em bens, equipamentos e meios de produção duráveis) conheceram uma forte alta durante os dois primeiros meses do ano, de 25,6% em um ano, segundo dados publicados também nesta quarta-feira.

"Isso reflete o impacto das políticas de retomada e de apoio ao crescimento, tanto em termos fiscais como monetários", comentou o JP Morgan em uma nota.

O impulso veio do governo central, que aumentou suas despesas em mais de 40% (a 107 bilhões de yuans, 12,35 bilhões de euros) e, principalmente, das empresas públicas ou controladas pelo Estado.

Os investimentos destas últimas, em alta de 35,6%, representaram 448,6 bilhões dos 1,027 trilhão de yuans (quase 119 bilhões de euros) investidos no total sobre o período.

"Isso sugere que a economia vai caminhar agora em duas direções: um muito fraco setor comercial e um investimento maior, principalmente público", disse Subbaraman.

Isso não significa que a China atingirá o modelo de desenvolvimento que pretende, carregado pelo consumo dos cidadãos, ainda nitidamente insuficiente.

Mas a terceira economia do planeta teria atingido uma meta: se tornar menos dependente de suas exportações (que representa 37% de seu PIB) e portando das economias estrangeiras.

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