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13/03/2009 - 06h37

China está preocupada com seu dinheiro nos EUA

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PEQUIM, China, 13 Mar 2009 (AFP) - A China está preocupada com o dinheiro que emprestou aos Estados Unidos, devido ao impacto da crise financeira mundial, declarou nesta sexta-feira o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao.

"Já emprestamos muito dinheiro aos Estados Unidos. É claro que estamos preocupados com a segurança de nossos ativos", disse Wen na tradicional entrevista coletiva organizada no último dia da sessão anual do Parlamento em Pequim.

"Para ser sincero, estou um pouco preocupado. Quero pedir aos Estados Unidos que cumpram sua palavra e seus compromissos, preservando a segurança dos ativos chineses".

Wen lembrou que seu país é o maior credor dos Estados Unidos, "a maior economia mundial, e prestamos muita atenção no desenvolvimento econômico" dos americanos.

Apesar dos temores, o premier chinês disse que confia "na série de medidas econômicas adotadas pelo presidente (Barack) Obama para combater a crise financeira".

Em setembro passado, a China superou o Japão como o maior credor dos Estados Unidos, e em dezembro detinha 727,4 bilhões de dólares em bônus do Tesouro.

Wen Jiabao estimou que será muito difícil, mas não impossível, obter um crescimento de 8% este ano na China.

"Todo o mundo está preocupado em saber se vamos atingir o objetivo de 8% de crescimento" fixado pelo governo para 2009. "Penso que será difícil, mas é possível com muitos esforços".

Segundo o premier, a China poderá, "a qualquer momento, adotar um novo plano de reativação" econômica, se a crise financeira internacional se agravar.

"Estamos preparados para a eventualidade de maiores dificuldades (...) A qualquer momento podemos apresentar políticas de estímulo à economia".

Wen Jiabao destacou que o plano atual, anunciado em novembro, de quatro trilhões de iuanes (583 bilhões de dólares), é bastante significativo, e que serão adotadas um bom número de medidas fiscais e sociais para se enfrentar a crise.

Na mesma entrevista, o premier garantiu que a China não cederá a pressões internacionais visando modificar sua política de câmbio: "nenhum país pode pressionar para que se valorize ou desvalorize" o iuane.

Em matéria de política cambial, qualquer decisão cabe somente à China, destacou Wen Jiabao.

Ao analisar a questão do Tibete, o premier disse que a situação é "tranquila e estável", e que "os tibetanos desejam viver e trabalhar em paz".

Um ano após os distúrbios de março de 2008, registrados em Lhasa e nas regiões próximas a capital do Tibete, a China mantém importantes forças de segurança na região e proíbe o acesso de estrangeiros a numerosas zonas para evitar problemas.

O premier rebateu qualquer fracasso na política chinesa para o Tibete e afirmou que "a estabilidade e os contínuos progressos na região provam o acerto de nossas decisões".

Segundo Wen Jiabao, a constituição e as leis chinesas "protegem a liberdade e os direitos dos tibetanos, em particular a liberdade de culto".

Na quinta-feira, o presidente americano, Barack Obama, comunicou ao chefe da diplomacia chinesa, Yang Jiechi, que o respeito aos direitos humanos é um "aspecto essencial" da política externa dos Estados Unidos.

Obama disse ainda que espera ver progressos nas conversações entre Pequim e os representantes do Dalai Lama.

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