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17/03/2009 - 09h47

EUA: políticos estão otimistas sobre crescimento, economistas não

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WASHINGTON, EUA, 17 Mar 2009 (AFP) - Os líderes políticos americanos adotaram um discurso otimista sobre as perspectivas de crescimento do país em 2009 e 2010, mas isso não tem convencido os economistas, que vêm anunciando previsões mais sombrias.

O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central), Ben Bernanke, defende uma posição segundo a qual o gigantesco plano de estímulo aprovado pelo Congresso em fevereiro (de 787 bilhões de dólares), somado aos esforços da instituição que ele dirige, produzirá seus efeitos.

Durante a primeira entrevista à televisão de um presidente do Federal Reserve, Bernanke insistiu domingo em afirmar que os Estados Unidos "provavelmente verão o fim da recessão este ano" e a "recuperação no início do próximo ano".

A assessora para assuntos econômicos da Casa Branca, Christina Romer, foi mais longe ainda.

Questionada em entrevista pelo canal NBC se os fundamentos da economia são saudáveis, respondeu: "Claro".

"Os fundamentos são saudáveis no sentido de que os trabalhadores americanos são saudáveis, temos um bom capital, temos boa tecnologia", declarou.

As previsões oficiais de crescimento para 2009 levam em conta a recessão: queda de 1,2% do PIB, segundo a Casa Branca, de 0,5% e 1,3%, segundo o Fed. Mas as de 2010 são otimistas: crescimento de 3,2% no projeto de orçamento e de 3,3% segundo o Fed.

De acordo com os analistas da Aurel BGC, este otimismo é fruto da necessidade: "o comunicado do Fed pode evoluir nas próximas semanas, pois a resolução da crise passa também por um reganho de confiança dos agentes econômicos".

Mas o ceticismo continua tomando conta dos economistas, que raramente se comprometem a anunciar previsões para 2010.

Segundo pesquisa realizada todo mês pelo Wall Street Journal com 50 economistas, as perspectivas para 2009 são cada vez mais sombrias. Elas projetam uma queda de 1,4%, contra a previsão de estabilidade do PIB anunciada em dezembro.

Entre os mais pessimistas, os economistas do Goldman Sachs vão na contracorrente do discurso oficial. Para eles, o ano 2010 não será o da recuperação, mas, ao contrário, o da deflação, uma queda generalizada dos preços incompatível ao crescimento.

"O momento em que o PIB atingirá seu ponto mais baixo é muito incerto, e a recuperação, quando acontecer, será anêmica", afirmam em nota divulgada na sexta-feira.

Pessimistas também, os economistas do site Economy.com (agência Moody's), para os quais esta crise será a pior desde à Segunda Guerra Mundial, indicam que o PIB deve se contrair em torno de 4%".

Apesar da queda de mais de 25% do PIB nos EUA entre 1929 e 1933 parecer evitável, a comparação com os anos 30 do século passado é um dos temas mais em voga, destaca o editor Robert Samuelson do Washington Post .

Felizmente, segundo Glenn Wingard do site Economy.com, "apesar de os dirigentes políticos de hoje se equivocarem de vez em quando, eles aprenderam muito com os erros de seus antecessores de antes da guerra".

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