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18/03/2009 - 15h47

Presidente da AIG pede a beneficiários que devolvam metade dos bônus

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WASHINGTON, EUA, 18 Mar 2009 (AFP) - O presidente da seguradora americana AIG, Edward Liddy, disse nesta quarta-feira ao Congresso que havia pedido aos beneficiários dos bônus escandalosos que façam "o correto" e devolvam a metade do dinheiro recebido.

"Ouvimos o povo americano falar em voz alta e claramente nos últimos dias", afirmou, durante uma agitada audiência na Câmara de Representantes.

"Consequentemente, esta manhã pedi aos funcionários da AIG Financial Products que façam o correto", insistiu, exortando os executivos que cobraram prêmios de mais de 100.000 dólares "a que devolvam pelo menos a metade desse dinheiro".

"Alguns deles já tomaram uma posição e se ofereceram para devolver tudo", afirmou sem apresentar detalhes.

Pressionado para fundamentar por que foi necessário pagar em primeiro lugar os 165 milhões de dólares em bônus a seus executivos, Liddy explicou que o departamento de produtos financeiros tinha 1,6 bilhão de dólares aplicados em investimentos de risco e que precisava de funcionários experimentados para resolver a situação.

"Estou tentando impedir um colapso descontrolado desses negócios", explicou.

O presidente da AIG presta depoimento nesta quarta-feira no Congresso dos Estados Unidos, ante parlamentares indignados com o escândalo dos bônus pagos aos executivos da empresa, recentemente resgatada da falência mediante milhares de dólares de dinheiro público.

A audiência começou às 10H00 (12H00 de Brasília).

Em seu depoimento Liddy afirmou que a AIG foi obrigada a pagar bônus (desagradáveis), mas garantiu que a empresa tirou as lições de seus erros.

"Erros foram cometidos dentro da AIG, em uma escala que poucas pessoas poderiam ter imaginado", disse Liddy em seu depoimento, que está sendo apresentando neste momento à subcomissão dos mercados de capitais, dos seguros e das empresas financiadas com fundos públicos.

Liddy também afirmou que está se esforçando com sua equipe dirigente para reerguer a seguradora, com o objetivo de devolver os 170 bilhões de dólares emprestados pelo Estado desde 2008 para evitar a falência.

"Para alcançar este objetivo, precisamos administrar nossos negócios como negócios, levando em conta a implacável realidade da concorrência para os clientes, os recursos e os funcionários", prosseguiu.

"Por causa disso, e de algumas obrigações legais, a AIG pagou recentemente bônus, alguns dos quais são, acho eu, desagradáveis", admitiu.

Liddy não esteve na sala de audiência na manhã desta quarta-feira, mas deve comparecer lá agora à tarde.

Enquanto isso, a subcomissão da câmara ouviu os depoimentos de membros de organismos de regulação da seguradora, referentes principalmente às lições a tirar do caso AIG.

Joel Ario, comissário encarregado dos seguros na Pensilvânia (leste dos EUA), defendeu o fortalecimento da regulação dos seguros em nível estadual.

Scott Polakoff, diretor do Escritório de Supervisão da Economia (OTS), garantiu que seu departamento tirou as lições da queda da AIG, e redigiu diretrizes para uma melhor supervisão do setor dos seguros.

O secretário do Tesouro, Tim Geithner, destacou na noite de terça-feira que a AIG terá que devolver a totalidade dos polêmicos bônus pagos a seus executivos, que se elevam a 165 milhões de dólares. Além disso, uma quantia equivalente será deduzida dos 30 bilhões de dólares suplementares prometidos pelo Estado à seguradora.

O Estado controla quase 80% da AIG.

Além disso, diante da ira da opinião pública e do Congresso, Geithner anunciou terça-feira uma aceleração do desmantelamento da seguradora.

Quase todos os congressistas americanos se mostraram indignados com o pagamento dos bônus.

O senador republicano Charles Grassley chegou a sugerir ironicamente que os dirigentes que aprovaram o pagamento destes bônus se suicidassem.

No início da semana, o presidente Barack Obama prometeu usar todos os meios legais para bloquear o pagamento dos bônus ou recuperar o dinheiro.

Edward Liddy assumiu a presidência da AIG em setembro passado, depois do resgate da empresa organizado pelo Federal Reserve (Fed).

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