! Reino Unido supera os 2 milhões de desempregados, a maior cifra em 12 anos - 18/03/2009 - AFP - Economia
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18/03/2009 - 12h09

Reino Unido supera os 2 milhões de desempregados, a maior cifra em 12 anos

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LONDRES, Reino Unido, 18 Mar 2009 (AFP) - O número de pessoas desempregadas na Grã-Bretanha superou no trimestre concluído em janeiro a marca de dois milhões, pela primeira vez em 12 anos, segundo dados oficiais divulgados nesta quarta-feira.

O índice de desemprego era na ocasião de 6,5% da população ativa, o que também representa um recorde desde 1997, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas.

"O índice de desemprego era de 6,5% no trimestre concluído em janeiro de 2009, uma alta de 0,5% em relação ao trimestre anterior e de 1,3% em ritmo anual", afirma um comunicado oficial.

Esta cifra inclui tanto os cidadãos que se beneficiam do seguro desemprego como os que não.

"O número de desempregados aumentou 165.000 na comparação trimestral e em 421.000 em ritmo anual, para alcançar 2,03 milhões. O nível e o índice de desemprego são os maiores desde 1997", completa o texto.

Por outro lado, o número de pessoas inscritas nas listas de desemprego aumentou em 138.400 pessoas em fevereiro em relação a janeiro, a maior alta desde a criação dessa estatística, em 1971. Supera em muito o dado de 82.300 antecipado pelos economistas.

No total, 1,39 milhão de pessoas figuravam como desempregados em fevereiro, uma alta de 4,3% frente a uma de 3,9% em janeiro.

As vagas de emprego totalizaram, entre dezembro e fevereiro, 482.000, uma queda de 74.000 postos e o nível mais baixo também desde a criação desse índice, em 2001.

As más notícias coincidem com uma informação publicada nesta quarta por vários jornais britânicos, segundo a qual o Fundo Monetário Internacional (FMI) se mostra disposto a baixar sua previsão de crescimento para a Grã-Bretanha, com uma contração de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 e de 0,2% em 2010 (frente a -2,8% e +0,2% prognosticados no fim de janeiro).

Se confirmada, esta contração fará da Grã-Bretanha o país desenvolvido mais afetado pela crise.

Os números preocupantes são divulgados às vésperas de uma reunião do G20 (os maiores países desenvolvidos e emergentes) na qual terá que mostrar sua capacidade de conduzir os debates que levarão a propostas para pôr fim à crise econômica global.

Os dados divulgados nesta quarta, classificados de "realmente terríveis" por James Knightley do ING e por Howard Archer da IHS Global Insight, mostram também uma visível diminuição dos rendimentos nos três meses concluídos em janeiro, de +3,5% contra os 3,6% anteriores para os salários excluindo os bônus, e somente de 1,8% contra 3,1% para os salários com bônus incluídos.

"As perspectivas do consumo vão de mal a pior", frisou James Knightley, enquanto que Tony Dolphin, do Instituto para a Pesquisa em Política Pública ressaltou que "o risco real de uma espiral de queda da demanda levará a um aumento do desemprego seguido por uma nova queda da demanda, e assim por diante".

Nenhum desses economistas tem dúvidaS de que nos próximos meses o desemprego afetará três milhões de pessoas. Para Archer, o desemprego deverá atingir 3,3 milhões de britânicos até o final de 2010 ou início de 2011, com uma taxa de desemprego de 10,5%.

A disparada da taxa de desemprego britânica ocorre em um momento em que os governos mundiais se questionam a respeito da prioridade de estabelecer uma reforma orçamentária ou uma regulação para combater a crise.

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